Há dois anos atrás eu guardei na gaveta este artigo, onde idealizei criar um espaço não tão pessoal a ponto de merecer receber a tag "Arquivo Pessoal" (que contém apenas artigos onde o tema central são aspectos da minha vida particular), porém, sem perder a chance de mostrar a minha conexão com a música escrita e produzida por esta artista maravilhosa que me acompanhou desde a pré-adolescência. Hoje, eu tenho a honra de finalmente falar sobre Lacey Sturm, o anjo dos clamores.
"Conheço a Lacey há alguns anos e a história dela sempre será uma das transformações de vida mais impressionantes que já ouvi. Cada vez que a ouço, sinto a dor e o sofrimento desesperados que ela sentiu ao chegar ao ponto de desistir da vida depois de tentar se satisfazer com os antídotos do mundo, que só deixaram sua alma em agonia." ― Brian “Head” Welch (líder das bandas Korn e Love & Death)
Infância
No livro The Reason: How I Discovered a Life Worth Living (2014), Lacey narra o início turbulento de sua vida. Sua mãe, com 17 anos na época, estava em trabalho de parto, com sangue no rosto, fraqueza no corpo e uma mãe de 29 desesperada no quarto do hospital. Tudo parecia que não tinha chances de melhorar, mas, por um milagre, a mãe de Lacey conseguiu concebê-la dois meses de prematura. Com os pulmões ainda em formação, ela contraiu coqueluche, uma infecção respiratória altamente contagiosa, mas Lacey conseguiu enfrentar esses dois obstáculos e vencê-los.
Lacey atribui tais desfechos em sua história de vida como parte dos planos de Deus, e eu não a julgo. E sabendo agora sobre esses fatos, passo a olhar a faixa 'Impossible', do seu álbum Life Screams, de 2016, com outros olhos, quando ela diz: 'I can barely breathe, but I'm singing out like this is nothing to me', e depois, 'Every morning I see another miracle, I can't believe I'm living the impossible'. Faz sentido que seja meu álbum favorito dela, porque são composições pessoais, como se eu estivesse ouvindo os segredos de alguém.
Lacey tem cinco irmãos: Eric, Jazilyn, Phillip, Stephana e Roman. Sua mãe, Lori, uma ávida amante de jazz, já compunha suas próprias canções e vivia um estilo de vida "livre, leve e solto". Com jeito irreverente e segura de si, Lori criou seus filhos ensinando-os sobre carinho e compaixão, sobre o amor de Deus e sobre a caridade. Porém, tamanha era a caridade que Lori doava até mesmo coisas essenciais que pouco tinham, como a cama de Eric e os mantimentos da família. Tudo na intenção de ajudar quem necessitasse, como ela e seus filhos um dia necessitaram. Muitas vezes, Lacey e seus irmãos tinham que se forçar a comer comidas enlatadas e pão seco, pela falta de alimentos e o excesso de caridade de sua mãe. Mas tal excesso era apenas uma amostra do coração generoso e cheio de gratidão que Lori tinha pelos que um dia a salvaram.
Aos 10 anos, Lacey viu a morte pela primeira vez, quando seu amado primo Kelton (apelidado carinhosamente de Kelly) foi espancado até a morte pelo próprio padrasto, que após o crime, foi sentenciado à prisão perpétua. Esse baque fez a fé de Lacey abalar, e ela conta que deixou de acreditar em Deus, tornando-se ateísta.
Eu estava com raiva porque as pessoas ao meu redor seguiam com suas vidas normalmente,
como se não vivêssemos em um mundo onde crianças eram espancadas até a morte." ― Lacey Sturm
e que nunca tinha ouvido expressa em música.
A música soava como eu me sentia quando chorava até dormir à noite." ― Lacey Sturm
e que não é preciso estar eternamente triste para se rebelar contra ela." ― Lacey Sturm
então eu cantava, gritava e denunciava-os.
Eu clamava por anarquia porque testemunhei abusos de autoridade." ― Lacey Sturm
estamos simplesmente morrendo de vontade de sentir alguma coisa." ― Lacey Sturm
Após todo o turbilhão de sentimentos que passou naquela noite, Lacey acordou no dia seguinte com um olhar diferente sobre o mundo e as criações de Deus. Ela teve que aceitar que mesmo as pessoas que ela não gostava eram amadas por Ele. Mas nada foi tão difícil do que terminar seu relacionamento com sua namorada, pois sabia que Deus tinha outros planos para elas. Naquele dia, as duas sentaram e conversaram no quarto de Lacey, que contou tudo que aconteceu na igreja. As jovens amantes choraram juntas perante o testemunho da cantora, e não se remoeram com o término e, por sorte, fecharam esse capítulo de suas vidas sem menções honrosas aos algozes que as afligiram.
Agora cristã, Lacey passou a sentir um certo conflito em seu interior por ainda fazer parte da banda Sofa Kingdom, composta por alguns amigos de natureza "duvidosa". Isso, pois as canções que entoavam não batiam com aquilo que Lacey sentia. Havia muito ódio pelo mundo naquelas letras, e ela já não se identificava mais com o ódio. Ainda que tivesse passado a escrever composições mais próximas de sua fé, Lacey sentia-se inquieta e distante dos membros. Tudo isso, até que Deus a testou mais uma vez...
"Eu queria de todo o coração ir àqueles lugares
que são um presságio sinistro do inferno — e resgatar pessoas de lá." ― Lacey Sturm
Numa manhã, a avó de Lacey percebeu um caroço crescendo no pescoço da neta ― que nem sequer tinha percebido aquilo. Após uma análise por meio de raio-x, a cantora descobriu que um tumor estava crescendo em sua garganta. Diante daquele mal, os fiéis de sua igreja oraram por ela, e uma mulher até tocou o tumor e conjurou o nome de Deus para interceder por Lacey para que aquilo desaparecesse de seu corpo. Na mesma hora, Lacey tocou o local e percebeu que o tumor havia desaparecido, se enchendo de fé e gratidão.
No retorno ao hospital, os médicos ficaram confusos com o que os exames mostraram: não havia nenhum tumor ali. E ao voltar à igreja, todos celebraram. Lacey jurou a Deus que passaria a utilizar sua voz para entoar o nome Dele, para honrá-lo e espalhar sua mensagem para o mundo. Por essa razão, a cantora decidiu sair do Sofa Kingdom.
Deus só nos deu o dom de salvar vidas por agora." ― Lacey Sturm
Lacey conta que a inspiração para criar sua própria banda veio do Nirvana, que mostrou ao mundo que um bando de "zé ninguém" eram bem melhores do que um monte de materialistas mesquinhos. À partir dessa ideia, Lacey encontrou o cerne de sua banda ao conhecer aqueles que integrariam sua história no mundo da música: Pat (um baixista brilhante vindo de uma família de artistas), Sameer (um nerd guitarrista amante de astronomia e ficção científica), Jared (um jovem guitarrista com uma paixão avassaladora por videogames) e James (um baterista com um dom único de consertar absolutamente qualquer coisa, principalmente computadores).
Em 2002, com seu grupo formado, um nome veio à luz: Passerby. Com a missão de inspirar pessoas a lutarem por seus propósitos e mudarem o mundo da forma que Deus fez cada pessoa para mudá-lo, a banda continuou o legado de Kurt Cobain como defensores dos excluídos e marginalizados, dos estranhos e deslocados.
"Então compreendi a orientação de Deus para o meu coração:
Ele não queria que eu mudasse a opinião das pessoas sobre Ele,
mas sim que lhes contasse o que Ele fez por mim." ― Lacey Sturm
Em 2002, já com 21 anos, Lacey e sua banda lançaram três EPs (Extended Play) independentes: Broken Wings, Breathe Today e Red Sam. Logo a banda teve a chance de se apresentar no festival de música South by Southwest, que atraía pessoas de todos os cantos dos EUA para o Texas. No meio de bandas novas, bandas antigas, artistas solo e músicos de rua, o Passerby se via pronto para se apresentar numa batalha de bandas no salão da juventude de uma igreja metodista no centro de Temple, Texas.
O mais louco nisso tudo é que eles seriam a primeira banda da noite. Lacey então se preparou utilizando um truque de maquiagem que aprendeu com as duas vocalistas da banda Animal Couch (Aimee Helms e Denise Grace): passar gel de cabelo misturado com glitter vermelho nas pálpebras, deixando secar.
"O que importa é saber em que fase da vida você está e o que você deve fazer hoje.
É aí que você se sentirá mais realizado e será mais eficaz em mudar o mundo." ― Lacey Sturm
Agora pronta, Lacey não percebeu que a fome que sentia ― por não ter comido nada o dia todo ― iria trazer consequências, principalmente depois que o DJ da banda principal, The Grove, levou um saco de hambúrgueres recheados com cebola. Pouco antes das portas se abrirem para o show, Lacey ficou enjoada com aquele cheiro forte de cebola e correu para o banheiro, vomitando na pia. A maquiagem já não estava como antes, após seus olhos lacrimejarem tanto.
Nesse momento, as portas estavam se abrindo, e já não havia muito o que fazer, então Lacey colocou a mão nos bolsos, percebendo os punhados de estrelinhas vermelhas de plástico que carregava guardados, se sentindo bastante nervosa. Todos os membros da banda estavam no palco testando seus instrumentos, e Lacey começou a orar na tentativa de aliviar sua náusea e ânsia de vomitar. Na hora em que James bateu no prato de sua bateria, Lacey se virou e jogou um punhado das estrelinhas para o alto, acima das crianças que estavam todas aglomeradas na frente do palco. A segunda batida veio e ela jogou seus braços sobre elas novamente, que agora tentavam alcançar as estrelas vermelhas. Logo uma paz repentina invadiu o coração de Lacey e sua náusea cessou, passando pela primeira vez pelo processo de preparação mental para um show do Passerby.
Naquela noite, a RCA (Radio Corporation of America), uma conhecidíssima gravadora americana, estava na plateia assistindo, assim como uma advogada especializada em entretenimento musical, Monika, que poderia ajudar a banda a assinar um contrato. O empresário e amigo deles, Gabriel Colbert, deixou claro que Monika (a representante da RCA, e uma representante da BMI) estava obcecada pela música "Broken Wings", e Lacey não podia arriscar passar mal novamente.
Rich Caldwell, o técnico de som da banda PushMonkey, se ofereceu para ajudar a Passerby naquela noite, operando o som de seu show de graça, o que fez com que uma grande amizade e parceria emergisse. Depois do show, Monika convidou a banda para conversar e aprender mais sobre a indústria musical, entendendo que o que eles faziam por diversão poderia se tornar a razão pela qual eles seriam reconhecidos... e de fato foi.
No escritório da Octone Records, Lacey e sua banda se uniram com os agentes da gravadora para discutir o destino do Passerby. Infelizmente, eles descobriram que esse nome já estava sob posse de outro grupo, tendo que mudar para um plano B. Dessa forma, eles alteraram o nome do grupo para Flyleaf ("folha de rosto" em inglês), e passaram a conversar sobre o que os membros esperavam da banda, como eles se apresentariam ao mundo, como uma banda cristã ou uma banda composta por cristãos. Foi aí que Lacey abriu seu coração e deixou claro o objetivo do grupo no mundo da música, mas a sensação que tinha era que suas palavras estavam saindo no automático, como se Deus falasse através dela.
A questão é que muitas das bandas de rock daquela época blasfemavam o nome de Deus e tinham músicas com composições um tanto rebeldes, o que ia na contramão do que ela seguia àquela altura. Ainda assim, a cantora revela que a razão pela qual ela optou por sair em turnês com bandas ateístas e que negligenciavam a Deus era pela ânsia e a certeza de que iria encontrar uma garota como ela, ainda perdida pelo mundo afora, atrás de uma razão para prosseguir com a vida e não desistir do seu propósito ainda desconhecido.
Durante um de seus grandes shows em Houston, Lacey e o Flyleaf passaram por mais um teste divino: cantar em um clube repleto de pessoas mal educadas e ávidas por qualquer som excitante, explícito e imerso em ódio. Entre cantadas, assobios e xingamentos, Lacey cantou 'I'm So Sick' e foi capaz de espalhar sua mensagem naquele lugar repleto de pessoas sombrias.
Mãe e Esposa
Em 2008, Lacey se casou com Joshua Sturm, membro da banda Káiros. Mas foi no Halloween daquele ano que o casal teve um gloriosa surpresa: Lacey estava grávida! Veio então uma mescla de surpresa e animação, e os dois logo foram ao hospital para confirmar o teste de gravidez. Porém, após passar pelo ultrassom, mas um baque surgiu, dessa vez, para os dois: Não havia batida de coração em seu útero... não havia nenhum bebê ali. O doutor disse, então, que poderia se tratar de um caso raro de gravidez molar, quando ocorre um crescimento anormal de tecido no útero, especificamente nas células que normalmente se desenvolveriam na placenta. E o pior de tudo, se Lacey não retirasse esse tipo de cisto cancerígeno, ele poderia se espalhar pelo seu corpo e matá-la.
Curiosamente, ainda que não soubesse sobre o ocorrido, Pat sugeriu ― após uma série de títulos para o novo álbum da banda ― a frase 'Memento Mori', que significa "Lembre-se que um dia você morrerá". Para o casal, a frase caiu como uma luva, mesmo carregado de um certo pesar.
Lacey não sabia se conseguiria passar por isso vitoriosa, mas graças a Deus o tumor foi retirado dela antes que se agravasse. No ano seguinte, ela ficou de fato grávida de seu primeiro filho, Jack. Mas o breve momento de felicidade deu lugar a um sentimento de impotência perante a morte de seu querido amigo Rich Caldwell, que faleceu em um acidente de carro. A sensação era de que o tempo de Lacey na banda estava se encurtando cada vez mais. Ela sabia que sua prioridade já não era mais entreter o público com sua voz.
Após sete anos no Flyleaf, Lacey sentiu a necessidade de fazer uma consulta ao fonoaudiólogo, que revelou que ela havia destruído suas cordas vocais, logo quando tinha um show marcado em Pittsburgh na mesma noite em que a consulta aconteceria. Porém, o doutor deixou explícito que era crucial que Lacey repousasse e fizesse algumas sessões de terapia, o que até fez sua voz voltar um pouco ao normal, mas não como antes.
Como fã, já percebi que boa parte dos shows ao vivo que Lacey participava expunha em sua voz uma certa falha. Seus gritos de banshee tornaram-se gritos de pterodáctilo, mas isso ela explicaria no vídeo "Lacey Sturm: Questions about screaming" anos depois. Estava claro que ela precisava encontrar uma forma alternativa de continuar gritando por Deus.
Ainda que sua voz estivesse meio estável, Lacey teria uma difícil missão: se apresentar sem o apoio de Rich no som. Ele havia ensinado Shawn, o engenheiro de monitor da banda, tudo o que sabia sobre como operar a mesa de som. E por mais que ele fosse bom, Shawn não conhecia a voz de Lacey como Rich conhecia. Isso logo fez os pensamentos tomarem conta da mente da cantora, que se viu incapaz de prosseguir com o show, ainda remoendo a dor de ter perdido um grande amigo e irmão. Todo dinheiro arrecadado com aquele show seria para Katy, a gerente de turnê e esposa de Rich, e seu filho de dois anos, Kirby.
Todos da banda estavam abalados com a morte de uma pessoa tão bondosa e familiar, que dedicou toda a sua vida ao Flyleaf, chegando a largar seu emprego bem remunerado — aquele para o qual ele estudou na faculdade — onde ficava sentado em um cubículo. Segundo Lacey, "ele (Rich) sabia que algo estava faltando, como acontece com tantas pessoas quando se contentam com menos do que as alturas para as quais foram chamadas". Rich arriscou tudo para poder entrar numa van Ford Club Wagon 1988 com aquelas cinco crianças rockeiras e seus instrumentos e viajar pelo país sem nenhuma garantia. Ele acreditava na banda e no impacto e na diferença que poderiam fazer.
Como pilar do Flyleaf, Rich partiu deixando um buraco no coração de todos, que agora se sentiam perdidos sem ele. Lacey estava parada ao lado do palco enquanto o barulho da multidão invadia o ambiente. Era a hora deles se apresentarem, então James, Pat e Jared subiram as escadas. Mas ver seu mundo virar de ponta cabeça fez o estômago revirar, e Lacey desabou em lágrimas. Sameer estava logo atrás dela, e tomou sua irmã nos braços para consolá-la. Mas ainda que fossem fortes, seus corações partidos por Rich lamentavam em uníssono, e os dois choraram em prantos por tudo aquilo que estavam passando.
e se empilha como tijolos, formando uma prisão." ― Lacey Sturm
Um bom tempo após essa enxurrada de turbulências, Lacey e Josh estavam em turnê para divulgar o novo álbum da banda, Memento Mori. No hotel, Josh descansava enquanto Lacey lia o livro 23 Minutos no Inferno, onde o autor conta sua experiência ao visitar o submundo durante um desdobramento (projeção astral). Lacey conta que desconfiava de qualquer livro em que o autor afirmasse ter ido ao céu ou ao inferno e voltado para contar a história. Acontece que, oito anos antes daquela leitura, ela e um grupo de amigos conversavam sobre assuntos religiosos, até que o tópico da vez era o inferno. Um deles, chamado Chad, foi o único que aguentou continuar com aquele papo.
Na semana seguinte àquela conversa, o Flyleaf se reuniu para um treino, começando com um estudo bíblico, como sempre faziam. Foi nesse dia, que a mãe de Jared lhes deu uma fita para ouvir, de um palestrante chamado Bill, que contava seu relato sobre sua ida e retorno do inferno, ele era o autor do livro que Lacey leria oito anos depois. Ele conta na fita que acordou no inferno sem se lembrar de ter sido cristão. Ele vivenciou um período fora do tempo, literalmente uma eternidade, onde estava no inferno. Lacey não queria acreditar nele, buscando qualquer coisa em seu discurso que validasse seu ceticismo, mas ele não demonstrou nenhum sinal de insanidade ou desonestidade.
Lacey ficou com o coração arrasado. Bill contava que avistou Jesus e que ele lhe disse que o homem estava no inferno pois muitos não acreditavam que aquele lugar existia, e que ele tinha que contar a todos para que se arrependessem de seus pecados e não acabassem naquele lugar mórbido. Em prantos, Lacey chorou por aqueles que não aceitavam aquela verdade. Ela chorou por saber que pessoas inocentes, porém céticas, poderiam sofrer pela eternidade por conta da sua falta de fé. Josh acordou vendo sua esposa em lamúria e, sem saber o que fazer, apenas ficou ao seu lado até que ela conseguisse dormir de tanto chorar (ainda que tivesse chorado três dias seguidos por aquilo).
Um mês depois, Lacey e Josh foram a Kansas City visitar seu pastor, Eric, e sua esposa, Sarah. Eles haviam se juntado a uma igreja e queriam que os rockeiros conhecem o fundador, Tim Johns. Na sala de estar, Lacey mostrou uns vinte e cinco segundos do vídeo de “I’m So Sick” para Tim. O pastor ficou maravilhado (o que me surpreendeu muito), e foi a partir dali que ele passou a contar a Lacey toda a história de vida dela. Empolgado, ele afirmou que ela tinha uma unção profética e evangélica, um chamado de Deus para que ela cantasse a canção desta geração. Apenas com Josh ao seu lado, segundo o pastor, ela poderia se livrar de todo o peso que suportava ao colocar a cruz de todos em suas costas, assim como Jesus fez.
De fato, Lacey se sentia sobrecarregada com toda dor que aguentava por aqueles que não entendiam a mensagem de Deus para a humanidade, tomando para si as lamentações dos espíritos incompreendidos. Aquilo era perigoso, e apenas Josh poderia confortá-la e lembrá-la de não tomar para si aquele peso insuportável, pois uma hora aquilo iria esmagá-la. O casal chorou ao ouvir aquilo, entendendo que estavam no caminho certo.
Flyleaf é uma banda que surgiu na intenção de espalhar a mensagem de que Deus ama a todos, e que vê os lamentos e agonias que todos passamos diariamente. É uma banda para aqueles que sofrem com a depressão, a raiva, a injustiça, o medo, a descrença em relação à vida. Ainda hoje, eu ouço as músicas e me vejo representado por cada verso, cada grito que faz meu espírito gritar em uníssono. A saída de Lacey do Flyleaf fez meu coração partir naquela época, mas eu entendi a razão, e agora ― enquanto escrevo este artigo, entendo ainda mais o porquê sou tão obcecado por essa banda.
Flyleaf me salvou da morte, da depressão e da solidão. Ainda que eu me contenha em cantar os versos pela vergonha de levantar minha voz e incomodar aqueles ao meu redor com a minha presença, minha alma canta e grita junto a Lacey toda vez que paro para ler as letras tão emotivas e significativas. Cada faixa tem uma mensagem diferente para momentos diferentes e pessoas diferentes... mas eu sinto como se todas tivessem sido escritas para mim.
Livros
Lacey publicou três livros:
The Reason: How I Discovered a Life Worth Living (2014)
The Mistery: Finding True Love in a World of Broken Lovers (2016)
The Return: Reflections on Loving God Back (2018)
- Skillet, com a faixa Breaking Free
- Lindsey Stirling, com a faixa Breathe With Me
- Third Day, com a faixa Run To You
- Caleb Hyles, com a faixa Darkness Before The Dawn
- Apocalyptica, com a faixa Broken Pieces
- We As Human, com a faixa Take The Bullets Away
- Breaking Benjamin, com a faixa Dear Agony
- Love and Death, com a faixa Let Me Love You
- Reflect Love Back, com a faixa Sacred
- Nothing More, com a faixa Best Times
- All Good Things, com a faixa Hold On
- Islander, com a faixa It's Not Easy Being Human








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