Pride To Be #12: Tirinhas, HQs e Livros LGBTs (Parte 2)



Love Is Love


 Love Is Love é um projeto idealizado pelo roteirista Marc Andreyko, criado como uma homenagem e um gesto de solidariedade após a tragédia na boate Pulse, em Orlando. O livro reúne mais de 250 artistas, roteiristas e ilustradores consagrados em uma coletânea de 144 páginas, com histórias curtas de uma ou duas páginas que falam sobre amor, perda, resistência, dor, empatia e, principalmente, orgulho LGBTQIA+. Publicado em parceria entre a DC Comics e a IDW Publishing, a obra traz inclusive participações de personagens icônicos como Superman e Mulher-Maravilha, unindo o universo ficcional à realidade para refletir sobre a importância da diversidade e do respeito. Além do impacto emocional e cultural, o projeto também tem um papel social importante: toda a renda foi destinada à Equality Florida, organização que luta pela defesa dos direitos LGBTQIA+ desde 1997. Love Is Love é, ao mesmo tempo, tributo, denúncia e celebração do amor em todas as suas formas.

Flores Raras e Banalíssimas


 Flores Raras e Banalíssimas, de Carmen L. Oliveira, é uma obra que mistura história, biografia e romance para retratar a intensa e marcante relação entre a poeta norte-americana Elizabeth Bishop e a arquiteta e paisagista brasileira Maria Carlota de Macedo Soares, a Lota. Ambientado no Brasil do século XX, o livro acompanha não apenas o relacionamento amoroso e afetivo das duas mulheres, mas também o contexto político, cultural e artístico do período — especialmente no Rio de Janeiro, durante a concepção e construção do Parque do Flamengo, projeto diretamente ligado a Lota. A narrativa apresenta discussões, tensões e parcerias com figuras históricas como Carlos Lacerda, Burle Marx, Sérgio Bernardes, além da presença de grandes nomes da literatura e arte brasileira, como Clarice Lispector, Manuel Bandeira, Cândido Portinari, Rachel de Queiroz, Carlos Drummond de Andrade e muitos outros. O resultado é um retrato emocionante e rico de um amor real, potente e complexo, entrelaçado à história do Brasil e à criação de um dos espaços urbanos mais importantes do Rio.

Will e Will, Um Nome, Um Destino


 Will e Will: Um Nome, Um Destino, escrito em parceria por John Green e David Levithan, foi o primeiro livro com personagens gays a entrar na lista de best-sellers do The New York Times. A história começa em uma noite fria em Chicago, quando dois adolescentes que não poderiam ser mais diferentes acabam se encontrando por acaso — e ambos se chamam Will Grayson. Cada um carrega suas próprias dores, inseguranças e confusões emocionais, mas esse encontro inesperado muda o rumo da vida dos dois. O grande destaque da trama é Tiny Cooper, melhor amigo gay de um dos Wills e que acaba se tornando o possível interesse amoroso do outro Will, criando uma dinâmica divertida, emocionante e cheia de personalidade. O livro fala sobre amor adolescente, descobertas, identidade, amizade, rejeição, autoestima e, claro, o caos que é crescer — tudo com muito humor, sensibilidade e aquele toque marcante de emoção que os autores sabem entregar tão bem.

Salsicha em Conserva


 Salsicha em Conserva é um blog de quadrinhos autorais criado pela artista e jornalista brasileira Carol Ito, conhecido por unir sensibilidade, humor e crítica social. Nas tirinhas, Carol aborda temas como cotidiano, identidade, gênero, política, sexualidade e vivências LGBTQIA+, sempre com um olhar humano, empático e ao mesmo tempo afiado. Além de quadrinista, Carol Ito também trabalha com jornalismo em HQ, colaborando com a Revista Trip, e desenvolve pesquisa acadêmica na USP sobre webcomics feitas por mulheres no Brasil, destacando a importância dessa produção no cenário nacional. Ela ainda coordena o projeto Políticas, voltado para quadrinhos políticos feitos por mulheres, reforçando seu compromisso com representatividade e voz feminina nas artes. O resultado é uma obra que mistura arte, reflexão e afeto — e que dialoga diretamente com quem busca narrativas sinceras, diversas e cheias de personalidade.

Eu Te Darei o Sol


 Eu Te Darei o Sol, da escritora Jandy Nelson, é um romance intenso, poético e profundamente emocional sobre família, amor, arte e identidade. A história acompanha os irmãos gêmeos Noah e Jude, que sempre foram muito ligados, até que ciúmes, segredos, mal-entendidos e uma tragédia acabam separando suas vidas de forma dolorosa. O livro é narrado em duas linhas do tempo: o passado, contado por Noah — sensível, talentoso e apaixonado por arte, enquanto lida também com a descoberta de sua sexualidade — e o presente, narrado por Jude, que agora carrega culpas, medos e tenta reconstruir a própria vida. A narrativa mostra como ambos competem por amor, reconhecimento e por um lugar no mundo, enquanto enfrentam dores que nunca tiveram coragem de confessar. Com escrita poética e cheia de metáforas, Eu Te Darei o Sol fala sobre perdão, reconstrução e como, às vezes, as pessoas que mais amamos também são as que mais podem nos machucar. É um livro sensível, marcante e com forte representatividade LGBTQIA+, especialmente através da jornada de Noah e suas experiências afetivas.

O Lado Negro da Praça


A HQ O Lado Negro da Praça, criada por Vinicius Lemes, aborda temas sociais intensos como racismo, pobreza, abandono infantil, violência urbana, drogas, machismo e homofobia. A obra nasce da inquietação do autor diante de um mundo em que pessoas sofrem não apenas pela desigualdade e pela violência cotidiana, mas também por serem discriminadas por sua cor, gênero ou orientação sexual. Lemes defende a ideia de que todos deveriam ter o direito de viver plenamente, livres de preconceitos e crueldades.

Lembra Aquela Vez


 Lembra Aquela Vez acompanha Aaron, um garoto do Bronx de 16 anos que tenta lidar com a dor do passado e com a descoberta de sua sexualidade. Após a morte do pai, ele tenta seguir em frente com o apoio da mãe e da namorada, Genevieve. Porém, quando ela viaja, Aaron se aproxima de Thomas e percebe que seus sentimentos vão além de amizade, o que o coloca em conflito interno. Diante dessa confusão, ele considera recorrer ao LETEO, uma instituição que promete apagar memórias dolorosas, na esperança de eliminar lembranças que o machucam — inclusive partes essenciais de quem ele é.

Velox


 Velox é uma HQ brasileira criada por Elyan Lopes e estrelada por Eron Maya, um atleta famoso conhecido por seu salto icônico, o “Velox”. A vida do protagonista muda drasticamente quando, durante a execução desse salto, ele sofre um acidente e fica paraplégico. Porém, Eron ganha uma segunda chance ao receber poderes de um deus mitológico, conquistando habilidades como voo, supervelocidade e força sobre-humana. A partir daí, ele decide usar seus novos dons para combater o mal e inspirar pessoas. Um dos pontos mais marcantes do personagem é o fato de Velox ser assumidamente homossexual, trazendo representatividade direta para os quadrinhos de super-heróis — algo ainda raro. Elyan Lopes revelou que se inspirou na cantora Pabllo Vittar, pela força, coragem e impacto cultural, além de referências aos ginastas brasileiros e suas histórias de superação, especialmente após os Jogos Olímpicos de 2016.

Apenas Um Garoto


 Apenas Um Garoto (título original Openly Straight), escrito por Bill Konigsberg, acompanha Rafe Goldberg, um adolescente que se assumiu gay muito cedo e sempre teve apoio da família, amigos e escola. Mesmo sem sofrer rejeição, ele começa a se sentir sufocado por um novo problema: não ser visto como “Rafe”, mas como “o garoto gay”, o símbolo de representatividade da escola. Cansado de viver preso a um rótulo, Rafe decide mudar de cidade e estudar em um colégio interno só para meninos — e lá resolve não contar que é gay, tentando viver como uma “folha em branco”. No início, tudo parece dar certo: ele faz amigos, é bem aceito, entra no time de futebol e finalmente sente que pode ser “apenas um garoto comum”. Mas a situação complica quando ele começa a se apaixonar por um dos novos amigos, o sensível e inteligente Ben, o que o coloca diante de conflitos internos, dilemas sobre identidade e a difícil pergunta: até que ponto vale a pena esconder quem você é?

Pretty Boy


 Pretty Boy é uma tirinha/mini HQ de clima doce e sensível que acompanha a história de um garoto gay que enfrenta bullying na escola. Ele lida diariamente com provocações e preconceito de alguns colegas — até que algo inesperado acontece: um desses garotos que o intimidava acaba se apaixonando por ele. A partir daí, a narrativa começa a explorar sentimentos conflitantes, mudança de perspectiva e a forma como o amor pode nascer onde menos se espera. Com traço simples, fofo e cheio de charme, Pretty Boy fala sobre vulnerabilidade, afeto e transformação emocional. A história mistura romance, cura e amadurecimento, mostrando como empatia e afeto podem desafiar preconceitos — e como relacionamentos LGBT também podem ser retratados com leveza, doçura e humanidade.

Nega Lu: Uma Dama de Barba Malfeita


 Nega Lu foi uma figura marcante da cena urbana porto-alegrense: negra, pobre, queer e absolutamente inesquecível. Após abandonar o nome de batismo, Luiz Airton passou a atender por Nega Lu, criando para si uma identidade poderosa, irreverente e cheia de presença. Descrita como uma “lady de voz grave e barba malfeita”, transitava entre universos considerados elitizados — cantava em corais sinfônicos, aprendia balé clássico, frequentava vernissages, shows e concertos — e, ao mesmo tempo, circulava pelas ruas, bares e espaços populares da cidade, onde se tornou quase um símbolo vivo. Carismática, espirituosa e livre, Nega Lu transformava qualquer ambiente. Quando via a atmosfera ficar tensa, quebrava o clima com humor e atitude, preferindo sempre “dar seu show” na rua, com autenticidade e presença de espírito. Mais do que uma personagem urbana, ela representa resistência, expressão artística, coragem de existir e a potência de viver a própria identidade sem concessões.

Meu Nome É Amanda


 Amanda Guimarães, conhecida como Mandy Candy, é uma das personalidades brasileiras mais influentes da internet quando o assunto é identidade de gênero e representatividade. Nascida em Gravataí (RS), desde pequena se sentia desconectada do corpo masculino em que nasceu. Determinada a viver plenamente quem era, juntou dinheiro e, aos 19 anos, viajou para a Tailândia para realizar a cirurgia de redesignação — com apoio da mãe, fator essencial em sua trajetória. Com mais de 245 mil inscritos no YouTube na época do lançamento do livro, Mandy conquistou o público principalmente de adolescentes ao falar com sinceridade, sensibilidade e bom humor sobre feminismo, autoestima, bullying, transição de gênero e aceitação. Em “Meu Nome é Amanda”, ela compartilha sua história com honestidade e coragem, mostrando os desafios, dores e conquistas de assumir a própria identidade em um mundo que ainda impõe tantas barreiras — transformando sua vivência pessoal em inspiração e acolhimento para milhares de pessoas.


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