Pride To Be #12: Tirinhas, HQs e Livros LGBTs


 Esse é um dos meus artigos mais lidos de 2018, então eu dei uma repaginada nele (substitui imagens, melhorei o texto e acrescentei mais informações). Que este espaço sirva de introdução para os membros da comunidade que querem conhecer mais sobre o seu passado ou ler obras com as quais possa se identificar.

O Garoto do Sonho


 O Garoto do Sonho, escrito pelo youtuber e influenciador brasileiro Erick Mafra e publicado em 2017 pela Astral Cultural, é um romance sensível que mistura poesia, filosofia e fantasia. A história acompanha Maria Clara, uma jovem que vive uma vida comum até que, no início das férias, um acontecimento marcante a faz questionar o sentido do amor, da existência e das conexões humanas. Em meio a dúvidas e reflexões, ela conhece em seus sonhos Eryn, um garoto de outro planeta que apresenta a ideia da Nova Cultura, uma forma de enxergar o mundo baseada em empatia, espiritualidade, liberdade emocional e novas maneiras de se relacionar. Ao longo do caminho, Maria Clara também encontra personagens como Nay, Cynn e Koy, que ampliam essa jornada de autoconhecimento e transformação interior. Embora não seja um romance LGBT tradicional, o livro dialoga com temáticas de identidade, amor plural e quebra de padrões — algo que conecta muito com o público LGBTQIA+. Com narrativa leve, estética delicada e até trilha sonora sugerida, a obra convida o leitor a olhar para si e para o mundo com mais sensibilidade.

Azul É a Cor Mais Quente


 Azul é a Cor Mais Quente é um romance gráfico francês criado por Julie Maroh e publicado originalmente em 2010. A edição brasileira chegou em 2013 pela Editora Martins Fontes, trazendo ao público uma história intensa, sensível e muito humana sobre amor, autodescoberta e amadurecimento. A trama acompanha Clémentine, uma adolescente que começa a questionar sua própria identidade e seus sentimentos ao conhecer Emma, uma jovem artista de cabelos azuis que vive de forma mais livre e consciente da própria orientação. A partir desse encontro, nasce uma relação profunda, bonita e ao mesmo tempo cheia de conflitos emocionais e sociais, mostrando como o amor entre duas mulheres pode ser tão real, forte e complexo quanto qualquer outro. Em 2013, a obra ganhou ainda mais destaque com a adaptação cinematográfica La Vie d’Adèle – Capítulos 1 & 2, dirigida por Abdelatif Kechiche, que venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes. É uma leitura que mexe com o coração e marca pela sinceridade com que retrata o amor e suas consequências.

The Devil And S-13


  The Devil and S-13 é uma HQ criada pelo artista Suyohara e acompanha o cotidiano de um casal nada comum: o próprio Diabo e S-13, um humano que acaba se envolvendo com ele de uma forma inesperadamente afetuosa. A graça da obra está justamente no contraste entre o clima sobrenatural e a dinâmica extremamente humana entre os dois — com momentos de humor, carinho, cumplicidade e aquelas situações cotidianas de relacionamento que fazem a gente se apegar ao casal. Mesmo com um conceito fantástico, a história trabalha de forma leve temas como afeto, vulnerabilidade e o jeito único que cada relação encontra para existir. É um quadrinho que agrada quem gosta de romances LGBT cheios de personalidade e com uma pitada de fantasia.

O Ano em Que Morri em Nova York


 O Ano em Que Morri em Nova York é o primeiro romance de Milly Lacombe, jornalista brasileira e referência no ativismo LGBT+. Com forte tom autobiográfico, o livro acompanha a trajetória de uma mulher que, já adulta, assume sua orientação sexual, casa-se com a mulher que ama e acredita ter encontrado um relacionamento sólido e ideal. Porém, tudo muda quando surge a suspeita de uma possível traição durante uma viagem, abrindo espaço para dúvidas, inseguranças e questionamentos profundos sobre amor, confiança e identidade. A narrativa segue essa protagonista entre altos e baixos emocionais, passando pelo medo da perda, pelo enfrentamento do preconceito e pela difícil tarefa de reconstruir a própria vida — não apenas como alguém que ama outra mulher, mas como alguém que precisa aprender a amar a si mesma. Com linguagem sincera, momentos de humor e muita sensibilidade, o livro retrata a relação entre duas mulheres de forma realista e humana, enquanto conduz o leitor por uma jornada intensa de autoconhecimento e renascimento emocional.

Belial e Reno


 Belial e Reno é uma webcomic de temática LGBT que apresenta uma proposta curiosa e divertida: a história gira em torno de um jovem fascinado por demônios desde criança, que passa boa parte da vida tentando invocá-los — até finalmente conseguir. A partir daí, surge a dinâmica entre ele e Belial, uma entidade demoníaca que, apesar da aura sobrenatural, acaba se envolvendo em situações cheias de humor, estranhamento e afeto inesperado. A relação entre humano e demônio vai se moldando entre curiosidade, conexão emocional e aquele clima de romance improvável que conquista o leitor. Infelizmente, a obra entrou em hiato logo no início, então não chegou a desenvolver todo o potencial da trama. Mesmo assim, é lembrada com carinho por quem acompanha histórias LGBT com toque de fantasia, carisma e personagens marcantes.

Revolucionário e Gay: A Extraordinária Vida de Herbert Daniel


 Revolucionário e Gay: A Extraordinária Vida de Herbert Daniel, escrito pelo historiador James N. Green, conta a trajetória marcante de Herbert Daniel, um dos nomes mais importantes da resistência contra a ditadura militar no Brasil. Militante de esquerda desde os anos 1960, ele participou de organizações revolucionárias e viveu prisões, clandestinidade e exílio. Ao mesmo tempo, enfrentava uma batalha íntima: o conflito entre sua atuação política e a dificuldade de assumir sua homossexualidade, algo que ele descrevia como um “exílio interno”. Foi apenas no exílio na Europa, nos anos 1970, que Herbert conseguiu viver plenamente seu relacionamento com Cláudio Mesquita, seu grande amor e companheiro de vida. De volta ao Brasil após a anistia, ele se tornou uma figura essencial no ativismo social, lutando pelos direitos humanos, causas ambientais e, principalmente, pelos direitos de pessoas LGBTQIA+ e pessoas que vivem com HIV/aids — área em que se tornou referência internacional. Herbert Daniel faleceu em 1992, mas sua história permanece como um símbolo poderoso de resistência, amor, coragem e transformação social.

As Desventuras de Tobias and Guy


 Tobias & Guy é uma série de tirinhas criada pelo artista Toh Daryl, publicada principalmente no Tumblr, e que conquistou o público pela mistura carismática de fantasia, humor e muito coração. Diferente de uma HQ tradicional, a obra não segue uma narrativa contínua: cada tirinha mostra uma situação diferente do cotidiano de Guy, um jovem gay, e Tobias, uma criatura meio demônio, meio sátiro, que surge na vida dele trazendo caos, carinho e muitas situações divertidas. As tiras alternam entre momentos engraçados, reflexões emocionais e cenas cheias de afeto, muitas delas inspiradas em vivências pessoais do autor, como conversas com o namorado e experiências com saúde emocional. Mesmo sendo um projeto despretensioso e sem versão física, a série ficou conhecida pelo jeito leve e criativo de retratar um relacionamento LGBT dentro de um universo fantástico, mas cheio de humanidade.

A History of Gay Literature


 A History of Gay Literature é uma obra essencial escrita pelo crítico e acadêmico Gregory Woods, reconhecida como o primeiro grande panorama histórico dedicado exclusivamente à literatura produzida por homens gays. O livro percorre séculos e culturas, começando na Grécia e Roma antigas, passando pela Idade Média, Renascimento e períodos de intensa repressão, até chegar à explosão criativa e política da literatura gay no século XX. Woods analisa autores, contextos sociais e obras que marcaram essa trajetória, mostrando como a escrita de homens homossexuais evoluiu, resistiu à censura e ajudou a moldar identidades, debates culturais e visibilidade ao longo do tempo. Mais do que um simples catálogo, o livro funciona como uma verdadeira obra de referência acadêmica e afetiva, celebrando a riqueza, diversidade e importância da literatura gay na história mundial.

Mundo Meio Roxo


  Mundo Meio Roxo é um projeto independente que ganhou destaque principalmente no Facebook, unindo humor, representatividade LGBTQIA+, crítica social e muita sensibilidade. Em formato de artes e pequenos “capítulos” visuais, cada publicação aborda um tema diferente relacionado à comunidade, como identidade, aceitação, afeto, desigualdades, saúde mental e vivências do cotidiano queer. O grande charme do projeto está no equilíbrio entre leveza e profundidade: ao mesmo tempo em que diverte, também provoca reflexão e empatia. Com ilustrações bonitas, linguagem acessível e mensagens fortes, Mundo Meio Roxo se tornou um espaço importante de acolhimento e visibilidade, mostrando que arte e narrativa podem ser ferramentas poderosas para falar sobre diversidade e humanidade.

Com Amor, Simon


 Com Amor, Simon é um romance e comédia dramática norte-americano baseado no livro “Simon vs. the Homo Sapiens Agenda”, de Becky Albertalli. O filme acompanha Simon Spier, um adolescente gay que ainda não revelou sua orientação para ninguém e leva uma vida aparentemente comum no ensino médio — até começar a trocar mensagens anônimas com outro estudante conhecido apenas como Blue. Enquanto tenta descobrir quem é o misterioso garoto por quem está se apaixonando, Simon precisa lidar com amizade, família, inseguranças e um colega que descobre seu segredo e passa a chantageá-lo. Estrelado por Nick Robinson, com Jennifer Garner e Josh Duhamel como seus pais, o filme ficou marcado por trazer uma história adolescente LGBT sensível, divertida e cheia de coração, mostrando que todo mundo merece viver um grande romance — com direito a descobertas, drama e final emocionante.

Torta de Climão


 Torta de Climão, de Kris Barz, reúne uma série de histórias curtas que acompanham onze personagens LGBTQIA+ em situações do cotidiano cheias de humor, identificação e aquele “climão” que muita gente da comunidade (e fora dela) já viveu. Com linguagem descolada e muito próxima da realidade, a obra retrata relacionamentos, amizades, trabalho, convivência social e todas aquelas situações constrangedoras, engraçadas e humanas que fazem parte da vida. Muitas das cenas foram inspiradas em experiências observadas ou vividas pelo próprio autor, mas nenhum personagem é cópia direta de alguém: todos são feitos de fragmentos, vivências e nuances diferentes, mostrando a diversidade de personalidades dentro da comunidade LGBT+. O resultado é um livro divertido, sensível e cheio de representatividade, que conquista justamente por mostrar pessoas reais, com dilemas reais — e muito carisma.

Me Chame Pelo Seu Nome


 Me Chame Pelo Seu Nome é um romance de André Aciman, publicado em 2007, que se tornou um dos livros mais marcantes da literatura LGBT contemporânea. A história se passa na Itália dos anos 1980 e acompanha o despertar emocional e afetivo de Elio Perlman, um jovem de 17 anos inteligente, sensível e introspectivo, que vive com os pais em uma casa de veraneio. Sua rotina muda completamente quando chega Oliver, um estudante de 24 anos convidado a passar a temporada com a família para auxiliar nas pesquisas do pai de Elio. Aos poucos, os dois constroem uma relação intensa, cheia de descobertas, desejo, carinho e conflitos internos, enquanto lidam com o tempo limitado que têm juntos. Mais do que um romance, o livro fala sobre memória, amadurecimento, paixão e o impacto que certos amores deixam para sempre na vida da gente. A obra ainda ganhou uma aclamada adaptação para o cinema em 2017, ampliando seu alcance e emoção para o mundo todo.




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