Em “Os Dois Mundos de Astrid Jones”, acompanhamos uma adolescente de 17 anos que vive em uma pequena cidade conservadora, onde tudo parece imóvel: as mesmas pessoas, as mesmas fofocas e a mesma mente fechada. Sem ter com quem dividir seus pensamentos e inseguranças, Astrid encontra uma forma curiosa de desabafo: deitada no quintal, olhando para o céu, ela “confia” seus segredos aos passageiros dos aviões que passam, imaginando que eles jamais a julgarão. Dividida entre dois universos — o mundo interno, onde pode ser verdadeira consigo mesma, e o mundo externo, onde precisa se encaixar nas expectativas sociais — Astrid trava uma luta íntima pela liberdade de identidade, sentimentos e pensamento. O livro traz um retrato sensível e profundo sobre autodescoberta, repressão social e o desejo de ser amada e compreendida pelo que realmente é. Ao questionar padrões e preconceitos, a obra inspira esperança e convida o leitor a refletir sobre coragem, autenticidade e o verdadeiro significado do amor.
Super Gay
Publicada em 1982, “Super-Gay” foi uma HQ brasileira ousada e irreverente para a época, trazendo humor ácido, crítica social e representatividade LGBTQIA+ de forma escrachada e cômica. A edição única apresenta duas histórias completas, incluindo “Por quem os silicones dobram / Os silicones dobraram e não se sabe por quem”, onde o vilanesco Dr. Camomila recruta Sapatão Maravilha — uma personagem com o poder de mudar o sexo das pessoas — e as Super Sapatões para destruírem as fábricas de silicone de Taióba City. Enquanto isso, heróis como Super-Gay, Capitão Lésbi e Capitão Fafá tentam impedir seus planos, rendendo situações totalmente satíricas, críticas ao preconceito e repletas de humor debochado. A HQ mistura super-heróis, nonsense, exagero e humor queer, sendo lembrada até hoje como uma obra marcante, divertida, libertária e extremamente à frente de seu tempo.
Minha Versão de Você
Em “Minha Versão de Você”, conhecemos Tanner Scott, um adolescente bissexual que, após se mudar da Califórnia para o conservador estado de Utah, volta para o armário por causa do ambiente religioso ao seu redor. A poucos meses de concluir o colegial e sonhando em sair de casa, tudo o que ele quer é passar despercebido até ir para a universidade. Porém, quando sua melhor amiga o convence a participar de uma prestigiosa aula de escrita criativa, Tanner acaba conhecendo Sebastian Brother, um jovem prodígio mórmon que publicou um livro aos 17 anos e agora orienta a turma. O que começa como admiração rapidamente se transforma em algo muito maior, levando Tanner a enfrentar sentimentos intensos enquanto Sebastian luta para conciliar fé, expectativa familiar e desejo pessoal. A obra, escrita pela dupla Christina Hobbs e Lauren Billings sob o pseudônimo Christina Lauren, discute identidade, religião, descoberta, amor e vergonha, mostrando com sensibilidade os conflitos internos e externos que surgem quando quem você é entra em choque com o que esperam de você.
PlayGay
PlayGay é uma revista em quadrinhos voltada para o público LGBTQIA+, especialmente para homens gays. Diferente de HQs comuns, ela combina narrativa, humor e representatividade com conteúdo voltado ao público adulto, explorando temas de sexualidade de forma aberta e estética — por isso é classificada para maiores de 18 anos. Além do caráter erótico, a revista também dialoga com questões de identidade, liberdade e expressão queer, trazendo personagens assumidamente LGBT e histórias que refletem vivências desse público, algo que sempre foi pouco visível no mercado editorial tradicional.
Argonautas
Argonautas, de Maggie Nelson, é uma obra de não ficção que mistura autobiografia, ensaio e teoria crítica, criando o que a autora chama de “autoteoria”. O livro acompanha seu relacionamento com o artista Harry Dodge, uma pessoa de gênero fluido, enquanto reflete sobre identidades, corpo, maternidade, linguagem e amor. Ao mesmo tempo em que narra experiências pessoais — como o processo de se apaixonar, as transformações do corpo e a construção de uma família — Nelson dialoga com pensadores e filósofos contemporâneos, questionando normas sociais e preconceitos ligados a gênero e sexualidade. A obra tornou-se um dos livros mais importantes sobre diversidade e afetos do século XXI, sendo reconhecida por sua sensibilidade e profundidade intelectual.
Rocky & Hudson é uma série de tirinhas brasileiras criada por Adão Iturrusgarai, que acompanha dois caubóis gays vivendo situações irônicas, bem-humoradas e cheias de crítica social. Surgida em 1987, a obra ganhou destaque por abordar a homossexualidade de forma leve e divertida em uma época em que o tema era ainda mais marginalizado. O nome da dupla é uma referência ao ator Rock Hudson, ícone de Hollywood que viveu grande parte da vida escondendo sua sexualidade. O sucesso das tirinhas rendeu adaptações: em 1994, os personagens ganharam um longa animado dirigido por Otto Guerra, e em 2019 estreou uma série animada com 13 episódios exibida no Canal Brasil. A obra continua sendo lembrada por sua ousadia, representatividade e humor inteligente.
Katita - Tiras Sem Preconceito
Katita – Tiras Sem Preconceito é uma HQ brasileira criada por Anita Costa Prado em parceria com o ilustrador Ronaldo Mendes, publicada pela editora Marca de Fantasia. A obra apresenta Katita, uma mulher lésbica autoconfiante, bem-resolvida e absolutamente consciente de sua identidade, protagonizando histórias que misturam humor, cotidiano e crítica social. Nascida inicialmente como um projeto digital, a personagem fez tanto sucesso que ganhou várias continuações, como “Katita: O Preconceito é um Dragão”, “Katita: Maré-cheia de Sereia” e “Katita: Humor & Malícia”. Militante das causas LGBTQIA+, especialmente do movimento lésbico, Anita usa as tiras como ferramenta de representatividade e combate ao preconceito, trazendo reflexões diretas e, muitas vezes, contundentes sobre sexualidade, discriminação e identidade. Justamente por assumir essa intenção política e educativa, a HQ dialoga profundamente com seu público-alvo, mesmo que isso limite seu alcance para além das pessoas interessadas nesses debates. Katita se tornou um símbolo importante na cultura queer brasileira, unindo humor, militância e visibilidade feminina lésbica.
Fun Home
Fun Home é uma das obras mais marcantes da história das HQs contemporâneas. Escrita e ilustrada por Alison Bechdel, a graphic memoir mistura arte e autobiografia para explorar temas profundos como identidade, sexualidade, família, luto e autodescoberta. Na narrativa, a própria autora é a protagonista, revisitando sua infância e adolescência em meio a uma relação complexa com o pai, Bruce Bechdel, um homem rígido, reservado e cheio de segredos — entre eles, sua própria homossexualidade reprimida. Com uma escrita inteligente, sensível e cheia de camadas, Alison combina humor, drama e reflexões filosóficas enquanto fala sobre sua própria descoberta como mulher lésbica e a busca por independência emocional. O resultado é uma obra potente, poética e impactante, que conquistou crítica e público ao redor do mundo, rendendo a Bechdel o Prêmio Eisner em 2007.
Ber, The Bear
Ber, The Bear é uma série de tirinhas criada por Rafael Lopes que celebra com humor e carinho a vivência gay — mais especificamente a chamada tribo dos Ursos, homens homossexuais geralmente mais fortes, peludos e com aquela vibe aconchegante que dá vontade de abraçar. A cada capítulo, acompanhamos momentos do dia a dia de Ber, desde situações amorosas e dilemas pessoais até reflexões sobre corpo, autoestima e pertencimento dentro da própria comunidade LGBTQIA+. Com traço simpático e narrativas curtas, a obra mistura representatividade, humor e um toque de afeto, mostrando que cada corpo e cada experiência importam. É daquelas leituras que aquecem o coração e ainda rendem boas risadas.
Contos Transantropológicos
Contos Transantropológicos é uma coletânea escrita por Atena que reúne narrativas voltadas para questionar e ampliar a compreensão do que significa existir enquanto ser humano. A obra propõe um olhar fenomenológico, explorando identidade, corpo, consciência e percepção de si e do outro. Cada conto trabalha experiências humanas sob perspectivas que atravessam gênero, sensibilidade e vivência, convidando o leitor a refletir sobre a forma como entendemos o “humano” — não como algo fixo, mas como construção contínua e plural.
Amores Plurais é uma coletânea de histórias em quadrinhos que apresenta, em cada capítulo, narrativas independentes focadas em personagens LGBT e suas vivências. Cada HQ traz uma perspectiva única sobre identidade, descoberta, afeto e pertencimento dentro da comunidade queer. Um dos destaques é a história de Paula, uma jovem que começa a compreender sua sexualidade a partir de uma conversa sincera com Val, dentro de uma boate gay — cenário que funciona como espaço de acolhimento e autoentendimento. Mesmo para quem não compartilha das mesmas experiências, as reações dos personagens e a sensibilidade retratada tornam a leitura emocionante, humana e profundamente tocante.
Over The Rainbow
Over The Rainbow é uma obra que reúne diferentes narrativas com foco em vivências LGBTQIA+, trazendo histórias sensíveis, afetivas e cheias de representatividade. Cada capítulo aborda temas como identidade, aceitação, preconceito, amor e autodescoberta, mostrando personagens diversos e realistas. A participação de Lorelay Fox acrescenta ainda mais peso e significado ao projeto, oferecendo reflexões sobre diversidade, respeito e visibilidade queer. A obra funciona como um convite para que o leitor enxergue além dos estereótipos, celebrando a pluralidade das experiências humanas sob o símbolo do arco-íris.














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