Divindades do Mar, dos Lagos e da Água



 Você sabia que Outubro tem um dia voltado à celebração do Dia do Mar? Esse feriado é comemorado todo dia 12/10. Ainda que atrasado, eu gostaria de contribuir com um artigo voltado às divindades, espíritos, monstros, seres, demônios e anjos relacionados com o elemento água.


Sereias


 Teve um artigo onde eu falei extensamente as sereias e suas singularidades, mas só pra resumir e inclui-la devidamente na lista, a sereia é uma criatura marítima que representa os perigos que se escondem no mar. Existem vários tipos de sereias, mas geralmente elas são descritas como mulheres com caudas de peixe no lugar das pernas, sendo detentoras de uma enorme graça e beleza, e de uma voz encantadora que hipnotizavam os marinheiros para serem levados para a morte (o mar).




Poseidon


 Poseidon é o deus grego dos mares e oceanos da Terra. Irmão do poderoso Zeus e do deus do submundo Hades. Ele é filho do deus do tempo Cronos e da deusa da fertilidade Reia, e assim como todos os deuses gregos, teve vários filhos.
 Quando Poseidon era apenas um bebê, seu pai enlouqueceu ao descobrir que seus filhos um dia tentariam derrubá-lo, decidindo então devorá-los. O que o titã não contava era que sua própria esposa, Reia, o trairia salvando um de seus filhos, Zeus, que foi entregue à Gaia para escondê-lo. Mais tarde, já crescido, o deus dos trovões retornou ao Olimpo para enfrentar seu pai, conseguindo retirar seus irmãos do estômago dele.


Tritão


  Na mitologia grega, Tritão é um deus marinho representado como uma figura híbrida: metade homem e metade peixe. Essa aparência peculiar fez com que o termo “tritão” passasse a ser usado ao longo do tempo para designar seres semelhantes a sereias masculinas. Ele é filho de Poseidon, o soberano dos oceanos, e de Anfitrite, sua consorte.
 Tritão é descrito como profundamente leal aos seus pais, atuando como seu mensageiro e servidor fiel. Uma de suas principais funções é acalmar as águas do mar, permitindo que a carruagem de Poseidon atravesse os oceanos sem obstáculos. Para isso, ele utiliza conchas marinhas — frequentemente representadas como grandes búzios — que, ao serem sopradas, emitem sons capazes de apaziguar as ondas e controlar o movimento do mar.

Oceanus


 Na mitologia grega, Oceano é o mais velho dos titãs, filho de Urano, o céu, e de Gaia, a terra primordial. Ele é a divindade que governa as águas correntes, simbolizando o fluxo e o refluxo, e era considerado a fonte originária de todas as massas líquidas do mundo, incluindo rios, fontes e até mesmo as águas doces.
 Além de seu domínio sobre as águas, Oceano também desempenhava um papel cósmico importante: acreditava-se que ele regulava o nascer e o ocaso dos corpos celestes, que surgiam e desapareciam em seu vasto reino aquático situado nas extremidades do mundo conhecido. Para os antigos, o mundo era circundado por um grande rio oceânico, e era nele que o sol e os astros mergulhavam ao final do dia.
 Com o avanço dos conhecimentos geográficos ao longo do tempo, a figura de Oceano passou a ser reinterpretada como a personificação dos oceanos do planeta. Nesse contexto, o distante Atlântico era visto como o centro de seu domínio, enquanto Poseidon assumia o governo de mares mais próximos, como o Mediterrâneo. O próprio termo “oceano”, utilizado até hoje, deriva do nome desse antigo titã, perpetuando sua presença na linguagem e na visão simbólica das águas que envolvem a Terra.


Pontos


 Na mitologia grega, Pontos é a própria personificação do mar aberto e profundo, representando as forças antigas e insondáveis das águas. Ele surgiu diretamente de Gaia, que o gerou sozinha, sem união com outra divindade — um tipo de nascimento comum entre as entidades primordiais.
 Posteriormente, Pontos uniu-se à própria Gaia, e dessa relação nasceram diversas entidades que representam diferentes aspectos do mar. Entre seus filhos estão Nereu, associado à sabedoria e à calmaria das águas; Taumas, ligado às maravilhas marinhas; Fórcis e Ceto, que simbolizam os aspectos mais perigosos e monstruosos do oceano; e Euríbia, que personifica a força e a fúria das águas.
 Além disso, com Tálassa, Pontos foi pai dos Telquines, criaturas marinhas frequentemente associadas a habilidades místicas e à forja, além de possuírem uma natureza ambígua entre o criativo e o destrutivo.
 Assim, Pontos não é apenas o mar em si, mas a origem simbólica de suas múltiplas facetas — da serenidade à ameaça, do mistério à criação.


Yemonja


 Na tradição iorubá, Iemanjá é uma das divindades mais veneradas, frequentemente reconhecida como a mãe de todos os orixás. Sua essência está profundamente ligada às águas — especialmente rios e lagos — além de simbolizar a fertilidade feminina, a maternidade e os princípios primordiais da criação do mundo e da continuidade da vida.
 Iemanjá também exerce influência sobre atividades essenciais à sobrevivência, como a pesca, e está associada ao plantio e à colheita de inhames, reforçando seu papel como provedora e nutridora. Ela é filha de Olokun, a poderosa divindade soberana dos mares e oceanos — que pode ser concebida como feminina em Ilê-Ifé e masculina em regiões como o Benim.
 Esse vínculo entre Iemanjá e Olokun é especialmente celebrado em Ilê-Ifé, considerada o berço da civilização iorubá, onde suas histórias e cultos ajudam a preservar a memória espiritual e cultural desse povo. Assim, Iemanjá representa não apenas a força vital das águas, mas também o elo entre origem, sustento e continuidade da existência.


Nechtan



 Na mitologia celta irlandesa, Nechtan é uma divindade ligada às águas sagradas e ao conhecimento oculto, sendo descrito como pai e/ou marido de Boann. A ele e a seus três “portadores da taça” era concedido o privilégio exclusivo de acessar o Poço de Segais, uma fonte mística cercada por nove castanheiras sagradas, cujas nozes continham sabedoria divina.
 Segundo o mito, quando Boann se aproxima desse poço proibido, suas águas transbordam com força e a perseguem até o mar, dando origem ao rio Boyne. Esse episódio simboliza tanto a força indomável do conhecimento quanto as consequências de transgredir limites sagrados.
 O nome Nechtan possui possíveis conexões com outras divindades aquáticas de diferentes culturas. Ele pode ser relacionado a Nodens, a Netuno, e também a Apam Napat, presente em tradições persas e védicas. Além disso, há semelhanças com Näcken, uma entidade associada a rios, poços e fontes na tradição escandinava.
 Com o passar do tempo, o nome Nechtan (ou Nectan) tornou-se comum no mundo celta, sendo utilizado por diversas figuras históricas e lendárias, o que reforça a importância e a difusão simbólica dessa antiga divindade ligada às águas e ao conhecimento.



Lir



 Na mitologia irlandesa, Lir é uma divindade associada ao mar, sendo também considerado senhor do submundo — entendido como o mundo dos ancestrais — além de possuir vínculos com a magia e a cura. Sua figura carrega uma dimensão profunda e simbólica, conectando as águas ao mistério da vida, da morte e da transformação espiritual.
 Lir é pai de Manannán mac Lir, uma das mais importantes divindades do panteão celta, frequentemente associado ao Outro Mundo e às travessias entre planos. Também é pai de seus quatro filhos: Fiachra, Conn, Fionnuala (também chamada Fingula) e Aodh.
 Essas crianças são protagonistas de um dos contos mais conhecidos do Ciclo Mitológico Irlandês: O Destino dos Filhos de Lir. Nessa narrativa, elas são transformadas em cisnes por um feitiço lançado por sua madrasta, Aoife, movida pelo ciúme. Condenadas a vagar por séculos entre lagos e mares, as crianças simbolizam sofrimento, resistência e a passagem do tempo, até que finalmente são libertadas, encerrando um ciclo marcado por dor e redenção.
 Assim, Lir se destaca como uma figura que transcende o simples domínio das águas, representando também laços familiares, tragédia mítica e a conexão entre o mundo físico e espiritual.



Manannán Mac Lir



 Na mitologia celta, Manannán mac Lir é uma poderosa divindade associada ao mar e ao chamado “Outro Mundo”, uma dimensão espiritual ligada aos deuses e aos ancestrais. Ele é tradicionalmente descrito como filho de Lir e integrante dos Tuatha Dé Danann, um conjunto de entidades míticas que representam forças sobrenaturais e ancestrais da tradição irlandesa e escocesa (assim como os Anunnaki da tradição suméria e os Olimpianos da tradição grega).
 Manannán é frequentemente retratado como um guia entre mundos, possuindo domínio sobre as brumas, os mares e os caminhos invisíveis que conectam o plano físico ao espiritual. A ele também é atribuída a função de guardião dos portais que conduzem ao Outro Mundo, sendo responsável por controlar quem pode atravessar essas fronteiras.
 Em algumas tradições, é considerado pai de Niamh, uma das rainhas de Tír na nÓg, e de Clíodhna, associada às Banshees. Essas conexões reforçam seu papel como uma figura central na relação entre o mundo dos vivos e o reino espiritual.
 Assim, Manannán mac Lir se destaca como um deus liminar — aquele que habita e governa as fronteiras — simbolizando o mistério das águas profundas e o acesso aos domínios ocultos da existência.


Dylan


 Na mitologia galesa, Dylan ail Don é conhecido como o “filho das ondas do mar” e descrito como um jovem de cabelos dourados, associado às águas e à sua natureza fluida e indomável. Ele é filho de Arianrhod e irmão gêmeo de Lleu Llaw Gyffes, sendo também sobrinho do mago e herói Gwydion.
 Segundo os relatos presentes no Mabinogion, especialmente no conto “Math, filho de Mathonwy”, Dylan possui uma conexão imediata e quase instintiva com o mar. Logo após seu nascimento, ele se lança às águas, onde passa a habitar, assumindo plenamente sua natureza divina ligada ao oceano.
 Seu símbolo é o peixe prateado, representando tanto sua afinidade com o mar quanto sua essência ágil e etérea. Dylan encarna a pureza e a força primordial das águas, sendo uma figura que expressa o vínculo direto entre nascimento, natureza e destino dentro da tradição mitológica galesa.


 Acho que já posso respirar um pouco de tanto escrever. Esse artigo terá mais algumas partes com divindades e seres associados à água, aguardem. Muito obrigado por terem aguentado todos os parágrafos, e até a próxima!


Postar um comentário

0 Comentários