Divindades da terra, do solo e das pedras (Parte 5)


 Cá está a continuação da lista de divindades da terra. Lembrando que a lista com todas as partes estão disponíveis no final da leitura, ein!

Erce


 "Erce era a Mãe Terra propriamente dita, também cultuada entre os povos nórdicos, simbolizando a fertilidade e a abundância, aquela que mantêm e oferece o sustento que os seres humanos precisam, mãe de tudo que há no Universo." - Ana Paula Malagueta, do blog Devi Shala.

Danu


 "Danu é considerada a Grande Mãe Primordial, que deu á luz a todos os seres humanos, elementos e divindades, como Dagda (prosperidade), Dian Cecht (cura), Ogma (poesia), Goibniu (trabalho com metais), Luchta (artesanato), Airmid (cura), entre outros. Seu nome, significa literalmente “fluir depressa”." - Ana Paula Malagueta, do blog Devi Shala.

Haumea


 "É a Mãe Terra, ancestral do Havaí. Seu nome é formado por hau, que significa “dirigente” e mea, “a terra vermelha”. Mas, também era conhecida por muitos outros nomes, como Papa, Lailai, Casa da Terra Ardente, entre outros." - Ana Paula Malagueta, do blog Devi Shala.

Amalur


 Amalur é a deusa da terra na religião do antigo povo bascoEla era a mãe de Ekhi, o sol e Ilazki, a lua. Seu nome significa "mãe terra". O documentário basco de 1968 Ama lur foi uma celebração do interior basco.


Lyngbakr


 Lyngbakr é o nome de um enorme monstro marinho parecido com uma baleia relatado na saga de Örvar-Odds que existiu no Mar da GroenlândiaDe acordo com a saga, Lyngbakr seduzia os marinheiros, posando como uma ilha coberta de urzes (uma espécie de planta bem chamativa), e quando uma tripulação atracava em suas encostas, ele afundava no mar, afogando a tripulação. Tanto o Lyngbakur quanto o Hafgufa (outra criatura que se camuflava com sua aparência rochosa) parecem terem sido derivados de uma única criatura chamada Aspidochelone no Physiologus (um manuscrito antigo)Physiologus contém duas ilustrações do Aspidochelone, uma com as costas cobertas de vegetação e outra com as mandíbulas escancaradas.


Ala


 Ala é a divindade da terra, moralidade, fertilidade e criatividade em Odinani (religião)Ela é a mais importante Alusi (divindade) no panteão Igbo. Em Odinani, Ala governa o submundo e mantém os antepassados ​​mortos em seu ventre. Seu nome literalmente se traduz em "terra" na língua Igbo, denotando seus poderes sobre a terra e seu status como o próprio solo. Ala é considerada a mais alta Alusi no panteão Igbo. Seu marido é Amadioha, a divindade do céu. Diz-se que se uma pessoa comete um tabu em uma comunidade, como uma profanação ou insulto à Ala, isso é visto como uma abominação que foi cometida em sua terra. Ala também é responsável por muitos aspectos da sociedade igbo e tutela de mulheres e crianças em geral. Ela é frequentemente retratada com uma criança pequena em seus braços e seu símbolo é a lua crescenteAcredita-se que as almas dos mortos residem em seu ventre sagradoTodos na comunidade têm que respeitar Ala, até porque todo mundo vive nela, ou seja, na terra.

Asintmah


 Na mitologia de Athabaskan (nome dado à uma grande família de indígenas norte-americanos)Asintmah é uma deusa da terra e da natureza, e também a primeira mulher na Terra.


Ten Ten Vilu


 Ten Ten Vilu é o deus mapuche (grupo indígena que vive na parte centro-sul do chile) da terra e fertilidade. Ele tem um espírito generoso e é o protetor de toda a vida na Terra, e da flora e fauna de acordo com alguns mitos MapucheEsta cobra foi uma figura central na Origem do Arquipélago ChilenoNa mitologia mapuche, Ten Ten Vilu é filho de Antü (Sol)um espírito pillan (um espírito masculino muito poderoso). Ele é um rival natural da serpente da água Kai Kai Vilu.


Amurru

 Amurru, também conhecido como Martu, é uma divindade da antiga Mesopotâmia associada aos povos amorreus, grupos seminômades que habitavam as regiões a oeste das grandes cidades da Suméria e da Acádia. Ele representa o modo de vida desses povos e está profundamente ligado ao mundo selvagem, sendo visto como o deus da terra indomada, da força bruta da natureza e da vida pastoral. Diferente das divindades urbanas e agrícolas, Amurru simboliza aquilo que está fora da ordem civilizatória, aquilo que não foi moldado pela mão humana. Em representações, costuma aparecer como um homem barbado, com vestes simples, carregando um cajado de pastor ou armas leves, às vezes acompanhado por animais como carneiros ou cabras, reforçando sua conexão com o pastoreio e com a vida nômade.
 Sua relação com a terra não é a da fertilidade cultivada, mas sim da terra em seu estado mais bruto e primordial — as montanhas, estepes e desertos que existem além das cidades. Enquanto deuses como Enlil e Enki estão associados à organização, à fertilidade e à civilização, Amurru encarna a terra anterior a tudo isso, a natureza livre, não domesticada e, muitas vezes, imprevisível. Ele também está ligado ao movimento constante sobre a terra, ao pastoreio nômade, reforçando uma visão do território como algo a ser percorrido e vivido, e não possuído ou controlado.
 Em algumas tradições, Amurru é associado à deusa Ašratum, ligada à fertilidade e possivelmente à terra cultivada, o que simboliza a união entre o selvagem e o civilizado, entre a natureza bruta e a terra transformada pelo ser humano. Sob uma perspectiva mais simbólica ou esotérica, Amurru pode ser compreendido como o arquétipo da terra primordial — a força natural que resiste à domesticação, representando o limiar entre o caos e a ordem, o espaço livre, perigoso e verdadeiro que existe além dos limites da civilização.



Cikap-kamuy

 Cikap-kamuy é uma divindade da espiritualidade do povo Ainu, originário do norte do Japão, especialmente de Hokkaido. Seu nome pode ser traduzido como “deus-pássaro” (cikap = pássaro, kamuy = divindade/espírito), e ele representa o princípio espiritual das aves, sendo considerado o senhor ou essência divina de todos os pássaros.
 Na cosmologia Ainu, os kamuy são forças espirituais que habitam e se manifestam através da natureza, e Cikap-kamuy ocupa um papel importante como mediador entre os mundos. Por estar ligado às aves — seres que transitam entre o céu e a terra — ele é visto como um mensageiro espiritual, capaz de levar e trazer informações entre o plano humano e o plano divino.
 Sua relação com a natureza, especialmente com o ar e o espaço entre os mundos, é central. Diferente de divindades ligadas diretamente ao solo ou à terra física, Cikap-kamuy está associado ao movimento, à liberdade e à comunicação espiritual. Ele simboliza aquilo que atravessa limites: o vento, o voo, a percepção que se eleva. As aves, sob sua regência, não são apenas animais, mas manifestações vivas do sagrado, carregando intenções, sinais e mensagens dos kamuy.
 Em um sentido mais simbólico, Cikap-kamuy pode ser entendido como o arquétipo da consciência que se eleva acima da matéria, que observa de uma perspectiva mais ampla e que conecta diferentes planos de existência. Ele representa o fluxo entre o visível e o invisível, sendo uma ponte viva entre o humano e o divino, entre a terra e o céu.



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6 Comentários

  1. Muito interessante o seu post. Eu sempre gostei de mitologia, mas nunca me aprofundei muito no tema. Algumas que você citou eu nunca ouvi falar. As ilustrações que você escolheu são muito bonitas.

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    1. Que bom que gostou! Pretendo trazer mais imagens com essa pegada mais pintura <3 eu amei o jeito como ficou! Mitologia é um assunto que combina muito com arte <3

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  2. Eu adoro ler sobre mitologia! E pelos posts que eu tenho lido aqui, vi que eu conheço muito pouco e tenho muito ainda para conhecer. Adorei conhecer todas as divindades citadas nesse post, especialmente Lyngbakr. E essas ilustrações, que coisa mais linda!

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    1. As ilustrações foram o que me deram mais gás para fazer post <3 que bom que gostou <3

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  3. Quanta riqueza de informações há nestes posts! É uma leitura muito interessante porque abrange várias culturas, cada uma com seus deuses e mitologias próprios. Confesso que não conhecia várias divindades e estou adorando ter mais esse conhecimento.

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    1. Que bom que gostou! Vem muito mais por aí! <3

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