Jörð

Na mitologia nórdica, Jord (Jorth, Jard, Jörð, Jɑrð, Fjörgyn ou Hlóðyn) é uma deusa jötunn (gigante) conhecida por ser a personificação da Terra, não é atoa que o seu nome, em nórdico antigo, significa "terra". Ela é mãe de Thor e Meili, assim como uma das esposas de Odin, que ao mesmo tempo em que a amava incondicionalmente, expressava um imenso ódio por sua raça, os jötnar (plural de jötunn). Esse ódio futuramente seria herdado por Thor e Meili.
Mais tarde, Jord faleceria por razões desconhecidas. Sua morte deixou Odin desolado por muitos anos, fazendo com que seu conselheiro Mimir passasse a acreditar que Odin precisava de uma substituta para Jord, inspirando o Rei dos Deuses a encerra a Guerra Aesir-Vanir. Com o fim da guerra, Odin logo depois se casou com a deusa aesir Frigga, sentindo amor mais uma vez.
Originalmente, Jord é descrita como uma das concubinas de Odin, além de ser considerada uma das Ásynjar (deusas) do panteão nórdico. Ela ainda é atestada como sendo filha de Annar e Nótt (deusa aesir que personifica a noite), e meia-irmã de Auðr e Dagr (personificação do dia).
Ki
Na mitologia suméria, Ki é a deusa da terra e consorte principal do deus do céu Anu. Em algumas lendas, os dois são retratados como irmãos, descendentes de Anshar ("Pivô do Céu") e Kishar ("Pivô da Terra"), as antigas personificações do céu e da terra. Acredita-se que a deusa-mãe suméria Ninhursag seja, na verdade, Ki. Mais tarde, passou a ser cultuada na Babilônia e na Acádia sob o nome de Antu.
Junto a Anu (também conhecido como Anunna), Ki deu à luz os Anunnaki, um grupo de divindades cultuadas pelos antigos sumérios, acádios, assírios e babilônios. Quando Enlil, o deus do ar, nasceu, ele dividiu os céus e a terra em dois. Anu ficou com os céus, enquanto Ki se casou com seu filho e ficou com a Terra. Dessa união, toda a vida vegetal e animal foi produzida.
Leimarel Sidabi
Leimarel Sidabi é a suprema deusa-mãe da terra e da natureza no Sanamahismo, a religião nativa dos Meitei em Manipur, Índia. Venerada como a mãe de todos, ela é considerada a forma suprema de divindade feminina, com cinco formas principais: Singjakhombi, Phouoibi (Deusa das colheitas), Emoinu (Deusa da riqueza e prosperidade), Yumjao Leima (Deusa do lar) e Panthoibi (Deusa da coragem e guerra, frequentemente associada à Durga).
Ela é tida como a personificação da terra, da fertilidade e da natureza, e por estar numa posição central na mitologia meitei, Leimarel tem alguns templos dedicados a ela, como os encontrados na região de Sagaing, em Myanmar. É adorada em quase todos os lares Meitei, representando a proteção e a prosperidade doméstica. Leimarel Sidabi é vista como uma divindade onipresente, protetora do lar e da terra.
Leimarel é uma deusa-mãe eterna. Nos tempos antigos, os casais reais governantes sentavam-se no laplen ka (sala central), de frente para o local sagrado de Leimarel. Acreditava-se que homens e mulheres se originavam do ventre de Leimarel. Uma casa simboliza a Mãe nas crenças cósmicas tradicionais Meitei.
Durante o mundo infantil, o deus criador Atingkok Maru Sidaba pediu a Leimarel Sidabi que criasse outra deusa a partir de si mesma. Após a criação, a nova deusa foi chamada de Emoinu , que foi enviada à Terra como a deusa guardiã da humanidade.
Maaemä

Maaemä (ou Maaema) é a deusa da Terra — ou a própria personificação da terra — nas mitologias finlandesa e estoniana, sendo vista como uma grande “Mãe Terra”, símbolo da fertilidade, do solo, da natureza e da vida. Seu nome deriva das palavras que significam “terra” e “mãe”, refletindo seu papel essencial como geradora e sustentadora de tudo o que existe. Em algumas tradições, ela é considerada esposa de Ukko, embora essa relação não seja totalmente definida. Também é frequentemente associada a Akka, outra figura materna ligada à terra.
Nas canções rúnicas finlandesas, Maaemä aparece como a própria mãe primordial, fonte de vida e força em oposição ao céu. Ela é descrita como origem de elementos naturais, como plantas, pedras e até serpentes, sendo ligada a figuras como Sampsa Pellervoinen. Em algumas versões influenciadas pelo cristianismo, chega a ser chamada de mãe criadora. Diversos nomes e variações — como Maatar, Manutar e Mammotar — representam aspectos semelhantes da “Senhora da Terra”, muitas vezes associada à criação e ao mundo subterrâneo.
Na Estônia, Maaemä era profundamente venerada em rituais, especialmente nos solstícios, quando eram feitas oferendas de alimentos e bebidas diretamente ao solo ou a pedras sagradas para garantir fertilidade e boas colheitas. A terra era tratada literalmente como uma mãe viva: feri-la ou desrespeitá-la era visto como um ato grave. Com o tempo, práticas tradicionais foram reprimidas, mas permaneceram na memória cultural como parte fundamental da relação espiritual com a natureza.
Assim, Maaemä representa não apenas uma deusa, mas a própria essência da terra como entidade viva e sagrada, sendo um dos pilares das crenças populares da Finlândia, Carélia e Estônia.
Mat Zemlya
Mat Zemlya, também chamada de Mati Syra Zemlya (“Mãe Terra Úmida”), é a personificação da Terra na mitologia eslava, vista como uma divindade primordial ligada à fertilidade, à vida e ao próprio ciclo natural da existência. Seu nome remete à terra fértil e úmida que gera e sustenta a vida, sendo considerada uma das entidades mais antigas e sagradas das tradições eslavas. Diferente de muitos deuses com forma definida, ela era venerada diretamente no solo, sem representação humana fixa, reforçando a ideia de que a própria terra é a deusa.
Seu culto era profundamente prático e espiritual: os eslavos faziam juramentos tocando o chão, confessavam pecados em buracos na terra e ofereciam respeito direto ao solo, tratando-o como uma entidade viva e consciente. Em muitos casos, sua identidade se aproxima ou se mistura com a deusa Mokosh, associada ao destino, à fertilidade e às atividades femininas.
Na visão mitológica, Mat Zemlya possui uma natureza ambivalente: ela é ao mesmo tempo mãe e túmulo — aquela que dá origem à vida e também recebe os mortos de volta, simbolizando um retorno ao ventre da terra. Essa ideia aparece em cantos e lamentações fúnebres, onde a “terra úmida” é invocada como acolhedora dos ancestrais. Embora raramente descrita fisicamente, às vezes é imaginada com pele escura, representando o solo fértil.
Além disso, figuras heroicas como Mikula Selyaninovich são consideradas conectadas a ela, recebendo sua força diretamente da terra. Assim, Mat Zemlya não é apenas uma deusa, mas a própria essência viva do mundo natural, reverenciada como fonte de vida, guardiã da verdade e destino final de todos os seres.
Mẫu Địa
Mẫu Địa, conhecida como “Mãe Terra” ou “Mãe do Submundo”, é a deusa que governa a Terra dentro da religião vietnamita Đạo Mẫu, simbolizando fertilidade, crescimento, proteção e a sustentação de todos os seres vivos. Ela integra o sistema dos Quatro Reinos — Céu, Terra, Água e Montanhas/Florestas — sendo responsável pela energia vital, pelas colheitas e pelo equilíbrio do mundo material e subterrâneo.
Como divindade, Mẫu Địa preside não apenas a terra física, mas também o submundo, sendo vista como a força por trás da formação e manutenção de todas as coisas. Frequentemente representada vestindo um manto amarelo — cor que simboliza a terra sagrada —, ela ocupa um lugar importante entre as Mães Sagradas veneradas nos templos. Em muitas tradições, sua identidade se conecta à de Liễu Hạnh, considerada uma das principais manifestações divinas na Terra e figura central do culto.
É importante distingui-la de Diêu Trì Địa Mẫu, que pertence a um contexto religioso diferente, ligado ao taoísmo chinês. Dentro do Đạo Mẫu, Mẫu Địa governa o chamado “Palácio da Terra”, um dos quatro palácios espirituais, cada um associado a uma cor e domínio específico: vermelho para o Céu, verde para as Montanhas e Florestas, branco para a Água e amarelo para a Terra.
A devoção a Mẫu Địa expressa gratidão à terra como fonte de vida e abundância, sendo comum a realização de orações e rituais pedindo boas colheitas e equilíbrio natural. Textos sagrados, como o Sutra da Mãe Terra, exaltam seu papel como criadora e sustentadora do mundo. Assim, ela é compreendida não apenas como uma deusa, mas como a própria essência viva da terra, que nutre, protege e mantém o ciclo da existência.
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