- Início, Meio e Fim.
- Corpo, Mente e Espírito.
- Passado, Presente e Futuro.
- Criação, Preservação e Destruição.
- Primavera, Verão e Inverno.
- Céu, Terra, Mar.
- Vida, Morte, Renascimento.
- Mundo Celestial, Mundo Intermediário, Submundo.
- Pai, Filho e Espírito Santo
- Pai, Filho e Mãe.
- Jovem, Mãe e Anciã.
- Na Lua Crescente é vista como Donzela
- Na Lua Cheia como Mãe
- Na Lua Minguante como Anciã
- Já a Lua Nova é quando a Deusa esconde a sua face
- Blodeuwedd, a Virgem, é uma mulher feita de flores (giesta, ulmeiro e carvalho) por feiticeiros para ser a noiva de Lleu Llaw Gyffes. Ela representa a beleza, a natureza em flor e, em algumas interpretações, o arquétipo da Virgem ou Donzela. No entanto, sua história é trágica, pois ela trai o marido e é transformada em coruja como punição.
- Arianrhod, a Mãe, é uma deusa importante associada à lua, às estrelas e ao tempo. Ela é a mãe de Lleu Llaw Gyffes e Dylan Ail Don, e preside sobre um reino celestial conhecido como Caer Arianrhod. Ela encarna o arquétipo da Mãe, do destino e do ciclo da vida.
- Cerridwen, a Anciã, é uma poderosa feiticeira e deusa associada ao caldeirão do conhecimento, da inspiração e da transformação. Ela é a guardiã do caldeirão de Awen (inspiração poética) e é frequentemente vista como uma figura de Anciã ou a face sábia da deusa, representando a sabedoria profunda, a morte e o renascimento.
- Ártemis, a Jovem Donzela, simboliza a Lua Crescente. Ela é a deusa da caça, da vida selvagem e da pureza. Na Lua Crescente, ela é a virgem, a donzela cheia de potencial e energia para o novo ciclo.
- Selene, a Mãe Plena, simboliza a Lua Cheia. Ela é a titã da Lua, a personificação do brilho, da plenitude e da fertilidade. Ela representa a fase madura, a força da mãe e a luz plena da noite, sendo associada ao amor e à fecundação.
- Hécate, a Anciã, simboliza a Lua Minguante/Negra. Ela é a deusa dos limiares, encruzilhadas, magia e do submundo. Na Lua Minguante ou Negra (Lua Nova), ela guia na escuridão, nos mistérios e nas transições, representando a anciã sábia, a morte e o renascimento.
- Cernunnos (celta, o mais citado academicamente)
- Herne (tradição inglesa medieval/folclórica)
- Pan (sincretismo moderno neopagão)
Em religiões neopagãs, às vezes estes nomes são vistos como máscaras do mesmo deus primordial selvagem. O Deus Cornífero é considerado tríplice porque ele encarna três forças fundamentais da natureza:
- Deus da Vida, senhor dos animais, fertilidade, abundância, selvas, virilidade e energia vital.
- Deus da Morte/Submundo, guardião dos mortos, dos ancestrais, dos mistérios da escuridão e da passagem.
- Deus do Renascimento, o que retorna com as estações, renova a vida e mantém o ciclo cósmico.
Cernunnos (como é mais conhecido) pode aparecer como:
- O Jovem / Caçador
- O Senhor da Vida Selvagem / Rei do Verão
- O Senhor das Sombras / Rei do Inverno
Nas tradições célticas, especialmente irlandesas, Brigid não é apenas “uma deusa com três faces”, mas muitas vezes é descrita como três irmãs chamadas Brigid! Neste caso, elas são filhas do deus Dagda, o “Bom Deus”, e pertencem aos deuses brilhantes da Irlanda. Ou seja, uma tríplice divindade formada por três manifestações com a mesma identidade divina, cada uma governando um domínio sagrado.
As fontes medievais (como o Lebor Gabála Érenn) descrevem as três como:
- Brigid do Fogo Criativo – Poesia e Inspiração: A padroeira dos poetas e bardos, guardiã da inspiração divina (Awen / Imbas), ligada à criatividade, ao canto, arte e sabedoria e que representa o fogo intelectual e espiritual. Ela concede inspiração criativa e visões, guia decisões importantes, abençoa artistas, músicos e contadores de histórias, que é ligada ao conhecimento e à sabedoria brilhante
- Brigid do Fogo da Forja – Artesãos e Metais: A protetora dos ferreiros e trabalhadores do metal, senhora da transformação da matéria, associada à alquimia, artífices e tecnologia antiga e que simboliza o fogo físico e criador do homem. Ela é a senhora das oficinas, martelos e bigornas. Ensina tecnologia e criação material, domina o fogo físico e civilizatório, simboliza a capacidade humana de transformar o mundo e representa proteção guerreira por meio das armas forjadas
- Brigid do Fogo da Vida – Cura e Fertilidade: A deusa da medicina e das curas, ligada às fontes sagradas e águas termais, guardiã da fertilidade, colheitas e vida e que representa o fogo vital que sustenta existência. Ela cura doenças, traz prosperidade aos campos, renova a energia vital e liga-se às águas quentes e sagradas e ao fogo vital que mantém a existência
Em Kildare (Irlanda), existia um fogo eterno de Brigid, mantido por sacerdotisas — tradição preservada até a Idade Média e reativada em tempos modernos.
- Goibniu – O Ferreiro Divino: é o mais famoso entre os três. Seu nome está ligado a palavras antigas para “forjar”, “martelar” e “trabalhar o metal”. Ele é o deus do fogo da forja e da metalurgia sagrada; protetor dos guerreiros; mestre da hospitalidade e dos banquetes divinos; criador de espadas, lanças, escudos e armas perfeitas; nenhuma arma feita por ele erra o alvo ou quebra.
Goibniu também é associado à cerveja sagrada, que: Restitui juventude, cura ferimentos, impede o envelhecimento e garante vigor para guerra e vida. Essa bebida era servida no Fled Goibnenn, um banquete divino.
Durante as guerras contra os Fomorianos, Goibniu forjou armas para os Tuatha Dé Danann, fez lanças tão perfeitas que garantiam vitória e era tão essencial quanto qualquer guerreiro. Ele sobreviveu no folclore como Gobbán Saer → arquiteto e construtor lendário da Irlanda cristã; equivalente galês → Gofannon.
- Creidhne (Credne, Creidne) – O Metalúrgico dos Detalhes: Se Goibniu trabalha a força bruta do ferro e do fogo, Creidhne domina o refinamento. Ele é o deus da metalurgia mais delicada, trabalhando com bronze, latão, ouro e prata. Creidhne é especialista em joias sagradas, objetos ritualísticos e revestimentos detalhados de armas.
Ele é o artesão preciso, aquele que dá beleza ao útil, transforma objetos em arte sagrada e representa a sofisticação técnica do povo celta. Nos mitos, ele forjava pontas de lanças perfeitas, enfeites ritualísticos e objetos mágicos usados por deuses e reis. Ele representa o valor céltico de que beleza também é poder.
- Luchta – O Carpinteiro Divino: Enquanto Goibniu domina o metal e Creidhne aperfeiçoa os detalhes, Luchta molda a madeira — base da vida céltica. Ele é o deus da madeira e carpintaria, construtor de casas, salões, armas de madeira, carros e estruturas e criador das hastes de lanças e suportes de armas.
Na sociedade celta, tudo dependia de madeira, casas eram de madeira, navios e carroças eram de madeira e muitas armas dependiam dela. Luchta é o símbolo de estrutura, suporte e civilização material. Sem ele, não havia casas, não havia sustentação para ferramentas e não havia base para a vida organizada.
- Anu é o aspecto jovem, associado à fertilidade, abundância e proteção da tribo. Ela representa a “virgem”, não no sentido de pureza sexual, mas no de potência não dominada, energia criativa e promessa de vida. Seu nome aparece ligado à terra e à prosperidade, sendo relacionada a montanhas sagradas, colheitas e ao bem-estar do povo. Em Anu, a Morrígan é nutridora, guardiã e geradora de poder.
- Badb é o aspecto materno e ao mesmo tempo aterrador. Ela se manifesta como a deusa da batalha e da profecia, frequentemente aparecendo como um corvo nos campos de guerra. Badb é a voz que anuncia a morte, que confunde os exércitos inimigos, que paira sobre os guerreiros e prevê seus destinos. É também quem fala através dos presságios, das visões e dos gritos que antecedem os confrontos. Representa a mãe que governa, protege, mas também destrói quando necessário.
- Macha é a face mais antiga, a anciã e soberana da guerra e da terra. Ela simboliza a maturidade do poder, a sabedoria conquistada e o peso da autoridade. Macha está associada à velocidade, à força física, às maldições contra aqueles que desrespeitam a ordem divina e ao vínculo sagrado entre rei e terra. Em seu aspecto mais profundo, ela representa o ciclo final da vida, onde o destino se cumpre e a renovação se prepara.
Embora chamadas de virgem, mãe e anciã por aproximação simbólica, elas superam o simples arquétipo da “tríplice deusa” moderna. No contexto celta, Morrígan é mais do que uma deusa da guerra: ela é a própria encarnação do destino, da soberania da Irlanda e do poder feminino em sua forma mais plena — criadora e destruidora, protetora e devastadora, vida e morte coexistindo. Cada uma de suas faces é independente, mas inseparável; juntas, formam a força total da Morrígan, a deusa que observa, conduz e transforma o curso da humanidade e do mundo.
As Parcas, conhecidas na mitologia grega como Moiras e na romana como Fata ou Parcae, são as poderosas divindades tríplices do destino. Elas não apenas observam a vida humana, mas definem o curso de cada existência, do nascimento à morte. Diferente de muitas divindades que interferem diretamente nos acontecimentos, as Parcas representam uma lei mais antiga e absoluta do que os próprios deuses: o Destino. Nem mesmo Zeus/Júpiter pode ir totalmente contra suas decisões, o que mostra seu nível de poder dentro da ordem cósmica.
Assim como em outras divindades tríplices, cada uma das Parcas corresponde a uma função essencial na construção da vida humana:
- Cloto (Nona, na versão romana) é aquela que fiava o fio da vida. Ela representa o nascimento, a chegada da alma ao mundo e o início do caminho de cada ser. Em termos simbólicos, Cloto é o princípio, o potencial e a oportunidade — ela decide que alguém existirá.
- Láquesis (Décima) é a que mede o fio, definindo o tempo de vida, o destino, os encontros, sofrimentos, vitórias e aprendizados de cada pessoa. Tudo o que compõe a experiência humana — alegrias, tragédias, glória e anonimato — passa por suas mãos. Ela representa o presente em andamento, a jornada em construção.
- Átropos (Morta) é a mais temida, pois corta o fio, encerrando a vida. Ela simboliza a inevitabilidade da morte, o ciclo que precisa se completar, lembrando que tudo o que nasce deve um dia terminar. Sua presença não é apenas destruição; ela representa também a ordem natural e a transição necessária.
As Parcas/Moiras não são figuras maléficas; elas são a própria estrutura da existência. Ao contrário de deuses guerreiros ou protetores, elas não agem por emoção, desejo ou vingança. São imparciais, imutáveis e consistentes, garantindo que o universo tenha um equilíbrio e que nada aconteça por puro acaso. Em muitas representações, são ligadas ao tear ou às linhas de tecido, simbolizando que a vida é algo tecido com cuidado, mas também sujeito a rupturas e limites.
Assim, as Parcas representam o controle absoluto sobre o destino humano e divino, a tríplice dimensão do tempo (início, percurso e fim) e a certeza de que toda existência faz parte de uma ordem maior. Elas personificam uma das ideias mais profundas da mitologia antiga: ninguém foge de seu destino, e é justamente isso que dá sentido à vida.

As Santas Irmãs do Fogo representam um fascinante vestígio da antiga religiosidade celta-irlandesa cristianizada. Originalmente, elas formavam uma trindade de deusas do fogo veneradas na região de Munster, associadas ao poder do lar, ao calor vital, às forjas, às fogueiras sagradas e à fertilidade da terra. Com o avanço do cristianismo, essas divindades foram transformadas em santas locais, mas inúmeros traços, lendas e símbolos preservaram a memória de seu caráter divino. O trio é composto por Gobnait, Lasair e Latiaran, cada uma com funções espirituais e simbólicas próprias, mas interligadas pelo elemento fogo.
- Gobnait, considerada a líder entre as irmãs, tem seu nome associado à ideia de “Senhora Ferreira”. Ela expressa o fogo criativo, o trabalho da forja, a habilidade do artesão e a transformação do metal — metáfora do poder humano de moldar a própria realidade. Gobnait também é ligada à proteção comunitária e à cura, assim como a deusa Brigid, mostrando a importância do fogo não apenas como destruição, mas como calor que garante vida, sustento e civilização.
- Lasair, cujo nome significa “Chama” ou “Fogo Eterno”, representa a força luminosa e espiritual do fogo. Em tempos antigos, acredita-se que havia uma chama sagrada mantida em sua honra, simbolizando continuidade, proteção divina e energia vital constante. Ela era associada tanto ao fogo do sol quanto ao fogo doméstico e ritual, conectando os ciclos agrícolas, as celebrações sazonais e a sacralidade do tempo.
- Latiaran, a mais jovem das irmãs, é a mais fortemente preservada no folclore local. Ela era vista como uma gigante, e sua presença permanece marcada em Cullen, County Cork, onde existe uma pedra ereta que a representa, bem como uma fonte sagrada próxima a um conjunto de whitethorns (espinheiros de flores brancas), árvores consideradas sacras para ela. Esses espinheiros dão frutos amargos que só adoçam após a primeira geada, o que reflete simbolicamente o poder do fogo e do frio trabalhando juntos na transformação da natureza. Seu nome tem origem incerta, possivelmente relacionado ao mesmo radical que deu origem ao nome de Lasair, intensificando sua conexão com a luz e o fogo. Há também teorias de que seu nome pudesse significar algo como “Seios de Luz/Fogo”, uma associação pagã posteriormente suavizada pelo cristianismo.
Diversas lendas envolvem Latiaran e o deus ferreiro Goibniu, símbolo masculino do fogo e da metalurgia. Em uma história, ela carrega uma pedra gigantesca em seu avental quando o deus elogia seus tornozelos; envergonhada, deixa cair a pedra, que se transforma no Coração de Latiaran, ainda hoje associado à região. Em outra versão, ela buscava diariamente uma brasa na forja do deus para reacender o fogo doméstico, pois teria se recusado a manter uma chama eterna após a cristianização. Ao ser elogiada novamente, deixou cair a brasa, que virou a famosa pedra. Há ainda um mito em que as pedras lançadas de seu avental teriam moldado as colinas de Muskerry, repetindo um padrão visto em narrativas sobre a deusa Brigid e a Cailleach, mostrando um vínculo temático entre grandes deusas da paisagem e forças cósmicas femininas.
Com o passar do tempo, as três irmãs foram reinterpretadas como santas cristãs e virgens devotas, mas mantiveram símbolos pagãos como fontes sagradas, árvores consagradas, pedras com poder espiritual e histórias que conectam o divino à terra. Curiosamente, dizem que após o episódio com Goibniu, caiu uma maldição e nunca mais houve um ferreiro em Cullen, reforçando a ruptura entre o sagrado antigo e o novo mundo cristão.
Assim, as Santas Irmãs do Fogo representam muito mais do que simples figuras folclóricas. Elas preservam a memória de antigas deusas do fogo, guardiãs do lar, da vida, da transformação, da paisagem e da própria identidade espiritual da Irlanda. Através de suas lendas, percebemos o diálogo entre paganismo e cristianismo, a permanência do sagrado feminino e o poder simbólico do fogo como força criadora, purificadora e eterna.
- Matronae Aufaniae – muito cultuadas na Renânia (Alemanha)
- Matronae Austriahenae – ligadas possivelmente a uma divindade ancestral relacionada ao início da primavera
- Matronae Suleviae – adoradas na Gália e Bretanha
- Matres Nemausicae – associadas à região de Nîmes (Gália)
- Matronae Vacallinehae
- Matronae Alaferhiae
- Matres Ollototae (“Mães de Todos os Povos”)
Muitas vezes, as inscrições dizem simplesmente MATRONIS (“às Matronas”) ou MATRIBUS (“às Mães”), sem listar nomes individuais, porque o foco não era a identidade particular de cada uma, mas o poder coletivo da tríade maternal: proteção, fertilidade, abundância e destino.









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