Segundo os textos gnósticos, Norea enfrentou os Arcontes, seres malignos enviados pelo Demiurgo, e tentou embarcar na Arca de Noé, sendo impedida por ele. Em resposta, ela teria incendiado a Arca, mostrando seu poder e autonomia. Posteriormente, recebeu auxílio do anjo Eleleth, que revelou sua origem divina como filha de Deus.
Norea é também relacionada a figuras femininas poderosas como Lilith e Naamah, ambas ligadas à defesa da autonomia feminina e à resistência a abusos. Seus textos mais conhecidos incluem o “Pensamento de Norea” e referências no “Sobre a Origem do Mundo”, preservados na Biblioteca de Nag Hammadi.
Nomes alternativos: Orea, Horaia, significando “bela”, e possivelmente associada a Naamah, “agradável” em hebraico.
Segundo relatos, como as Cartas do Brasil (1549) do padre Manuel da Nóbrega, Sumé apareceu como um homem branco de longos cabelos e barba, capaz de flutuar no ar e dotado de poderes sobrenaturais. Ele ensinou aos índios a agricultura, o processamento da mandioca em farinha, a fabricação de anzóis e também passou regras morais. Além disso, curava ferimentos e doenças sem exigir nada em troca.
Sua habilidade de manipular armas e sobreviver a ataques deixou os indígenas espantados. Segundo a lenda, após ser ferido mortalmente pelos arqueiros, Sumé não sangrou, retirou as flechas com facilidade e desapareceu sobre o mar, voando para nunca mais voltar.
Deixou rastros gravados em pedras no interior do Brasil como lembrança de sua passagem. Teve dois filhos, Tamandaré e Ariconte, que possuíam naturezas diferentes e tinham uma rivalidade mortal entre si.
Segundo Pierre Verger, Xangô — assim como todos os imolè (orixás e eboras) — pode ser compreendido sob dois aspectos: histórico e divino. Historicamente, teria sido o quarto rei de Oyo, filho de Oranian e Torosi, filha de Elempê, rei dos Tapás, com quem Oranian havia firmado uma aliança.
Divinamente, Xangô é a personificação do poder de Olorum. Ele é viril, atrevido e justiceiro, mas também violento quando necessário. Governante dos raios, trovões e grandes descargas elétricas, é o orixá que pune mentirosos, ladrões e malfeitores. Por isso, ser atingido por um raio é considerado um sinal da cólera de Xangô, e uma casa atingida por um raio é marcada pela sua fúria.
Xangô teve três esposas divinas: Oyá, Oxum e Obá. Como orixá do poder e do fogo, ele representa a força suprema da justiça e da autoridade na mitologia iorubá.
Além disso, Ferônia é considerada a guardiã das fontes, bosques e florestas que cercam esses lugares, combinando a força do calor com a vitalidade da natureza. Durante suas celebrações, os devotos caminhavam descalços sobre brasas incandescentes de grandes fogueiras feitas com pinheiros, em um ritual de purificação e cura, realizado sob a orientação dos sacerdotes. Após esses ritos, frutas eram oferecidas à deusa, colocadas ao redor das fogueiras como sinal de agradecimento.
Entre seus devotos estavam tanto os iniciados quanto o povo humilde dos campos. O nome Ferônia significa “levar, trazer, gerar, produzir”, simbolizando o ato de plantar energia com intenção amorosa — como tocar uma planta com as mãos para depois oferecê-la a alguém — refletindo a ideia de colher o que se planta.
Na mitologia egípcia, Tifão foi identificado com Seb, gigante responsável pela seca do Nilo, que matou Osíris por inveja de sua fertilidade, sendo depois vingado pelo filho Anúbis. Junto à esposa Equidna, Tifão gerou diversos monstros que desafiaram heróis e deuses: o Leão de Nemeia, a Hidra de Lerna, a Esfinge, os cães Ortros e Cérbero.
Tifão era tão imenso que sua cabeça tocava os astros e suas mãos se estendiam do Oriente ao Ocidente. De seus ombros saíam cem dragões, e de sua boca jorrava fogo em torrentes, enquanto lançava rochas incandescentes aos céus. Seu covil era uma gruta com vapores tóxicos, capaz de envenenar qualquer um que se aproximasse.
Em sua tentativa de vingança, Tifão escalou o Monte Olimpo, forçando os deuses a se transformarem em animais para fugir: Apolo tornou-se um falcão, Hermes um íbis, Ares um leão, Ártemis uma gata, Dioniso um bode, Héracles um cervo, Hefesto um boi e Leto um musaranho — apenas Atena permaneceu humana.
Zeus enfrentou Tifão no Monte Cássio, na Síria, atingindo-o com seus raios. Tifão conseguiu derrubar Zeus e, com uma harpe, cortou seus músculos, guardando-os numa pele de urso e confiando-os a um dragão chamado Delfim. Para recuperar seus poderes, Zeus contou com a ajuda de Cadmo (ou Hermes em algumas versões), que atraiu o monstro com música até que Zeus pudesse retomar seus raios e músculos.
Após recuperar sua força, Zeus perseguiu Tifão por diversas regiões: Monte Nisa, Trácia — onde o sangue derramado deu nome ao Monte Hemos — Sicília e Itália, até derrotá-lo definitivamente, fulminando suas múltiplas cabeças e deixando-o morto sobre a terra com estrondo.
Tifão é, assim, a personificação do caos, dos ventos violentos e do fogo destrutivo, sendo uma das figuras mais aterrorizantes da mitologia grega e de seus sincretismos.
Sua consorte é Mamaqui, que simboliza a solidez e a estabilidade do que é concreto. Amitabha dedica-se especialmente à iluminação de todos os seres, sendo considerado o Buda da transferência da consciência na hora da morte e da passagem pelo bardo (estado intermediário entre a morte e o renascimento). Seus devotos buscam renascer na Terra Pura de Amitabha, onde a iluminação é alcançada mais facilmente.
No Tibete, Amitabha é conhecido como Od Pagme, e no Japão como Amida Nyorai. O mantra japonês nenbutsu — derivado de Namo Amida Butsu — é recitado pelos fiéis para garantir o renascimento na Terra Pura. Esse culto originou, no Japão, o budismo da Terra Pura, no qual Amida governa a região da felicidade e do céu, personificando inteligência, caridade e amor. Para alcançar a bem-aventurança, os devotos seguem cinco prescrições: não matar, não roubar, não se entregar à libertinagem, não mentir e não ingerir substâncias entorpecentes ou alucinógenas.
Na iconografia, Amitabha pode aparecer de diversas formas: sentado sobre um lótus com as pernas cruzadas, com três cabeças e longas barbas, ou ainda com uma cabeça de cão montado em um cavalo de sete cabeças. No budismo Vajrayana, quase todas as divindades representadas em vermelho pertencem à família Lótus, e muitas trazem uma pequena imagem de Amitabha sobre suas cabeças, indicando que são emanações do Buda.
Héstia jurou virgindade diante de Zeus, rejeitando cortejos de Apolo e Posídon. Em troca, recebeu a honra de ser venerada em todos os lares e incluída em todos os sacrifícios, permanecendo em paz em seu palácio, cercada pelo respeito universal. Sua presença era marcada pela chama sagrada, que brilhava continuamente nos lares e templos, representando a estabilidade e a perenidade das cidades e das famílias.
Na Grécia antiga, cada cidade mantinha um fogo de Héstia, geralmente colocado no palácio, núcleo das decisões políticas. Quando os gregos fundavam novas cidades, levavam consigo parte desse fogo como vínculo com a terra materna, acendendo nele a lareira central da nova colônia. Em Delfos, a chama perpétua de Héstia servia para acender os altares de outras cidades, sendo o primeiro sacrifício feito por qualquer peregrino que chegasse à cidade.
Em Roma, Héstia era cultuada como Vesta, filha de Saturno e Cibele. O fogo sagrado simbolizava a perenidade do Império, e suas sacerdotisas — as vestais — faziam voto de castidade e serviam à deusa por trinta anos. Havia também um sacerdote principal que presidia seu culto. Héstia era representada como uma jovem mulher com uma larga túnica e véu cobrindo cabeça e ombros. Sua figura simples e austera refletia a seriedade de seu papel, embora tenha oferecido pouco material iconográfico para os artistas.
Atar é o yazata (divindade menor) do fogo na mitologia persa e no zoroastrismo. Ele representa o fogo físico e espiritual, símbolo da pureza, da energia vital e da presença divina. No zoroastrismo, o fogo é sagrado e mantido em templos dedicados a Atar, conhecidos como Atashkadeh, onde brilha continuamente como sinal de devoção e conexão com Ahura Mazda, o deus supremo.
Atar não é apenas o fogo material usado para cozinhar ou aquecer, mas também a manifestação do fogo da consciência, da verdade e da iluminação. O culto a Atar envolve rituais de purificação, oferendas e oração diante do fogo sagrado, refletindo a importância do elemento para a vida, a moralidade e a proteção espiritual.
Ele é associado à proteção contra o mal e à manutenção da ordem cósmica (asha), sendo o fogo uma ponte entre o mundo humano e o divino. Por sua centralidade, Atar simboliza tanto a energia física que aquece e transforma, quanto a força espiritual que ilumina e purifica.











2 Comentários
Como eu amo ler posts assim! Saber sobre mitologias e divindades é sempre tão encantador, ainda mais ligados a um elemnto tão poeroso da natureza <3
ResponderExcluirTem razão! Sempre amei ler sobre todos os tipos de mitologias e quando se trata de falar sobre elas aqui no blog eu já até me animo! <3
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