Aranhas na África
Na África, a aranha é vista como a personificação da trapaça, que assume o nome de Anansi, um ser trapaceiro que por vezes era visto como o deus de todo o conhecimento sobre as histórias. Anansi é conhecido por sempre triunfar sobre seus oponentes, sendo muito mais esperto, astuto e criativo que eles. Mesmo sendo visto como um trapaceiro, uma das maiores habilidades de Anansi é a de transformar suas aparentes fraquezas em virtudes. A personificação da trapaça já reencarnou em diferentes partes do mundo. Alguns povos da África veem a aranha como o ser mais astuto dentre todos os animais e o rei de todas as histórias.
◇ Serket ◇
◇ Ta-Bitjet ◇
Aranhas na América
◇ Avó-Aranha ◇
É uma deusa que por vezes assume a forma de uma senhora idosa ou de uma aranha comum. Em sua forma aracnídea, ela vive no subsolo em um buraco semelhante a um kiva. Quando chamada, ela ajuda as pessoas de várias maneiras, lhes oferecendo conselhos ou curas medicinais. A Avó-Aranha é conhecida como uma líder sábia que representa a bondade.
Ao lado do deus sol, Tawa, a Avó-Aranha, vista como uma deusa da Terra, se separou dele no intuito de criar outros deuses menores, sendo assim, os dois criaram a Terra e suas criaturas. Porém, os dois deuses perceberam que as criaturas não estavam vivas, dando-lhes almas. Após criarem as criaturas, Tawa e Avó-Aranha criaram a mulher e o homem à sua própria semelhança, dando-lhes o canto da vida. Daí, a Avó-Aranha separou as criaturas em tribos e as conduziu pelas Quatro Grandes Cavernas, e após chegarem em suas casas, ela ensinou aos humanos os papéis de uma mulher e um homem, bem como as práticas religiosas que eles deveriam seguir.
A Avó-Aranha atua como um espírito bom que guia as criaturas do primeiro mundo em suas viagens aos mundos superiores, orientando-os enquanto se transformam em diferentes formas, tornando-se mais humanos. Ela deixa as criaturas do quarto mundo, conhecido como Mundo Superior, para se estabelecerem permanentemente.
Também conhecida como Godyeng Sowuhti, a Avó-Aranha é assistente de Tawa. Ele a envia para as criaturas que vivem no primeiro mundo para entregar sua palavra, porém, Tawa estava infeliz pois suas criações não entendiam como viver. No terceiro mundo, ela os ensinou a tecer e produzir potes de barro. Enquanto no terceiro mundo as pessoas passaram a se afastar e esquecer de Tawa. Por causa disso, a Avó-Aranha foi enviada para deixar os poucos que ainda eram bons saberem que era hora de deixar os outros para trás. Com a ajuda de Pokanyhoya e o Esquilo, a deusa ajudou as pessoas a criarem o sol e a lua, aconselhando-as sobre como e para onde viajar.

◇ Djeien ◇
Uma aranha monstruosa e gigantesca que habitava ao sul do Lago Ontário, na América do Norte. Foi morto pelo herói Ot'hegwenhda que descobriu a localização do coração da besta, que havia sido escondido no subsolo. Djieien possui um veneno que causa alucinações e paranoia quando injetados em suas presas. Também há sintomas de dor de cabeça, coceira e ataques de raiva. Essa aranha também é capaz de criar um campo magnético ao seu redor e o usa para alimentar as emoções negativas de suas vítimas. A história conta que Ot'hegwenhda estava à procura de seu pai, Hagowanen. Chegando na beira de uma floresta, o jovem encontrou a aranha gigante Djieien, que fugiu para dentro de um buraco donde era possível ouvir choros que se assemelhavam com o de seu pai. Ot'hegwenhda então pediu ajuda a um feiticeiro para saber como matar a besta, e ele disse que seria necessário subir no alto de uma árvore e proclamar sua força sobre todo e qualquer ser vivo, após isso, deve-se cortar um galho de árvore e jogá-lo no chão ao mesmo tempo que ordena que ele parta o coração da besta em dois. Assim Ot'hegwenhda o fez, descobrindo o coração de Djieien sob o solo e perfurando-o com o galho. A aranha estava morta e finalmente o herói conseguiu salvar seu pai que estava gravemente ferido, voltando para casa.
◇ Ai Apaec ◇
Deus criador do povo Moche, conhecido como “O Carrasco”, sendo o mais temido e adorado de todos os deuses punitivos. Além de criador do povo Moche, Ai Apaec é o protetor deste povo, assim como provedor de água, comida e triunfos militares. Na língua mochica, seu nome significa “fabricante”.
Ai Apaec é retratado sempre como um ser antropomórfico. Por vezes, como um rosto humanoide com presas felinas e cercado por ondas do mar (que é encontrada nos murais dos Templos do Sol e da Lua, sendo a representação mais comum desta divindade); ou como uma aranha de oito patas e um rosto humanoide com presas de onça; ou com duas cobras saindo de sua cabeça, que jaz em suas mãos; etc.
Durante sacrifícios humanos, os prisioneiros eram decapitados e suas cabeças eram dadas a Ai Apaec.
◇ Mulher Aranha de Teotihuacan ◇
Uma deusa mexicana associada à vegetação e fertilidade, conhecida como “Grande Deusa”. Acredita-se que ela era uma figura materna capaz de fornecer uma estrutura unificadora à Teotihuacan, transcendendo as divisões dentro da cidade.
Ela é representada com um cocar de um pássaro verde (semelhante a uma coruja ou um quetzal) e um nariz retangular com um pingente de três ou cinco presas descendentes. É também vista com joias como colares e brincos de contas, e suas mãos são retratadas como se dando água, sementes e tesouros de jade.
Acredita-se que a Grande Deusa possua domínio sobre o submundo, a escuridão, a terra, a água, a guerra e a criação, sendo vista como uma deusa primordial ou original. Para as civilizações da Mesoamérica, a onça, a coruja e a aranha eram criaturas das trevas encontradas em cavernas durante a noite.
Há muitos aracnídeos em suas roupas e seus braços, e ela possui escudos decorados com teias de aranha. Um fragmento de mural a mostra com uma grande boca com dentes afiados e garras nas mãos.
É possível associar a Grande Deusa como uma divindade semelhante à Avó Aranha dos povos Pueblo e Navajo.
◇ Iktomi ◇
Um espírito aracnídeo trapaceiro que vive nas áreas remotas dos Estados Unidos. É visto por alguns como um herói cuja aparência é de uma aranha capaz de assumir qualquer forma, inclusive a de um humano que usa tinta vermelha, amarela e branca no corpo e em suas vestimentas, além de ter anéis pretos ao redor dos olhos.
Iktomi, originalmente chamado de Ksa, o deus da sabedoria, é o filho primogênito de Inyan, a Rocha.
Ksa foi o responsável por inventar a linguagem, as histórias, os nomes e os jogos. Ele usara sua sabedoria para fazer uma deusa esconder seu rosto de vergonha e um deus abaixar a cabeça em tristeza. Scan, o deus do movimento e juiz dos deuses, condenou Ksa a nunca mais poder se sentar ao lado dos deuses, e a sentar-se sozinho no mundo sem nem um amigo.
A sabedoria de Ksa tornou-se apenas astúcia, e isso o prenderia em seus próprios esquemas. Scan então passou a chamar Ksa de Iktomi, o diabinho do mal cujo prazer é ridicularizar os outros. A tribo Oglala vê Iktomi como a degeneração de Ksa, que tornou-se sua segunda manifestação na Terra, eclodindo do Ovo Cósmico colocado por Wak-Inyan, a tempestade primordial.
Iktomi tem como principal característica o gosto por jogos. Ele é representado como a confusão entre a sabedoria e loucura. O trapaceiro fazia truques malicioso àqueles que zombavam de sua aparência estranha e engraçada, porém, na maioria das vezes seus esquemas terminam com ele caindo em ruínas pelos planos terem saído pela culatra.
Sua habilidade principal é a metamorfose, além de poder usar cordas para controlar humanos como marionetes. Ele também pode fazer poções que mudam os deuses, concede controle sobre as pessoas e enganam divindades e mortais.
Seu grande cúmplice é um coiote que às vezes se comporta com seriedade e vai ao auxílio do povo Lakota, avisando-os do perigo ou até ensinando-os a se proteger do mal e viver uma vida melhor com tecnologia.
Aranhas na Oceania
Na Oceania, mais especificamente na Austrália, as aranhas são retratadas em pinturas de rochas, cascas de árvores e em totens de clãs. Em suas teias, as aranhas são associadas à conexão de clãs vizinhos ao clã Burnungku que possuem totens de aranhas em seus rituais.
De acordo com a cosmologia tradicional dos ilhéus Kiribati, O Senhor Aranha Nareau criou todo o universo, sendo considerado uma divindade original. Areop-Enap, também conhecido como “Velha Aranha”, desempenhou um importante papel na criação dos ilhéus Nauru da Micronésia.
◇ Nareau ◇
É uma divindade original das Ilhas Gilbert, cujos domínios são a areia e a água. Nareau, que na língua gilbertese significa “Senhor Aranha”, criou dois deuses primordiais chamados Na Atibu e Nei Teukez, que juntos deram luz à várias divindade: Te Ikawai, Nei Marena, Te Nao, Na Kika e Ruki.
Um dia, Na Atibu acabou sendo dilacerado e suas partes do corpo tornaram-se o mundo. Nareau criou o sol e a lua à partir dos olhos de Na Atibu; de seu cérebro foram criadas as estrelas, e de seus ossos e carne surgiu a terra.
Aranhas na Ásia
Chegando à Ásia, conhecemos Tsuchigumo, uma criatura mística capaz de assumir o rosto de um menino ou de uma mulher. Enquanto buscava um crânio gigante místico, o herói Minamoto no Raiko foi atraído para uma casa e colocado em uma ilusão por Tsuchigumo disfarçado de menino. Porém, depois de levantar suspeitas, o homem consegue quebrar a ilusão atacando a criança com sua espada. Ele então se vê coberto por uma teia de aranha e ao segui-la, descobre que o menino é na verdade a aranha gigante.
Há também um ser chamado Jorogumo, uma aranha capaz de se transformar em uma mulher sedutora. Em alguns casos, Jorogumo tenta seduzir um samurai e se casar com ele; em outro, ela é venerada como uma deusa que mora nas Cataratas de Joren e salva pessoas do afogamento.
◇ Uttu ◇
Uma antiga deusa suméria da tecelagem. O símbolo de seu nome também é usado para se referir à palavra “aranha”, dando a entender que ela era uma divindade aracnídea.
Uttu sempre resistiu às investidas de seu pai, Enki, se abrigando em sua teia. Ela então pede que seu pai prometa que eles se casariam antes de ele se deitar com ela e pede frutas e legumes como presentes de casamento, porém, Enki encontra um jardineiro que exige que o deus encha suas valas de irrigação de água em troca de suas frutas e legumes. Assim o deus o faz, e o jardineiro cumpre com o prometido. Uttu alegremente aceita os presentes de seu pai que, infelizmente, a embebeda com cerveja e viola seu corpo. Porém, ele acaba a intoxicando e estuprando-a logo em seguida.
Uttu é então resgatada pela deusa Ninhursag, que remove o sêmen de Enki de sua vagina e planta-o no chão, resultando no nascimento de oito novas plantas e Enki fica irritado por não conhecer aquela nova flora. O assistente de Enki, Isimud, então as nomeia e as entrega ao deus, que as come logo em seguida.
Uttu é filha de Enki e Ninkurra.
◇ Homem-Escorpião ◇
São também conhecidos como Aqrabuamelu ou Girtablilu, seres que possuem cabeça, tronco e braços de homem, porém, corpo de escorpião. Estes seres foram criados por Tiamat, uma deusa primordial, com o objetivo de criar uma guerra contra os deuses mais jovens em vingança pelo assassinato de seu amante, Apsu.
Os homens-escorpiões montaram guarda do lado de fora dos portões de Shamash, o deus do sol, nas montanhas de Mashu. Eles então marcham à Kurnugi, o mundo das trevas, e abrem as portas para Shamash e logo em seguida o trancam no submundo. Após isso, eles alertam os viajantes do perigo além de Mashu.
Aranhas na Europa
Já na Europa, São Conrado de Constança é por vezes representado como um bispo segurando um cálice com uma aranha. A história conta que enquanto ele estava celebrando a Missa de Páscoa, uma aranha caiu no cálice, porém, ele ignorou a crença de que todas as aranhas eram venenosa e, com muita fé, bebeu o vinho mesmo com a aranha dentro.
Para o rei Robert I, da Escócia, a aranha representa a inspiração por conta de uma história que fala sobre o encontro de Robert I com uma aranha durante uma série de fracassos militares contra os ingleses. Enquanto se refugiava em uma caverna na Ilha Rathlin, Robert testemunhou uma aranha continuamente falhando em escalar seu fio de seda para chegar à sua teia. No entanto, após perseverar, a aranha conseguiu chegar à sua teia. O rei então levou aquilo como um símbolo de esperança e perseverança, saiu de seu esconderijo e venceu a independência da Escócia.
Há ainda a história de Pan Twardowski, um feiticeiro que fez um pacto com o Diabo e escapou dele que tentava levar o feiticeiro para o inferno, indo morar na Lua. O único companheiro de Pan era uma aranha, que de vez em quando era permitida pelo feiticeiro de descer à Terra em um fio e trazer-lhe notícias do mundo.
◇ Aracne ◇
Há quem acredite que a primeira aranha a existir na Grécia foi Aracne. Aracne era uma jovem que, por ser filha de um famoso e habilidoso tintureiro de tecidos, tornou-se adepta da arte da tecelagem, tornando-se uma exímia tecelã. Considerando-se mais habilidosa que a própria Atena, a deusa das artes e habilidades, Aracne desafiou a deusa.
Atena teceu a cena de sua vitória sobre Poseidon, enquanto Aracne teceu uma tapeçaria com muitos episódios de infidelidade entre os deuses do Olimpo, fazendo Atena se irritar. A deusa até admitiu que a arte de Aracne era impecável, mas estava furiosa com o orgulho que a jovem sentia, portanto, em um momento de raiva, Atena destruiu a tapeçaria e o tear da jovem.
Em seguida, amaldiçoou Aracne com um sentimento eterno de culpa, que a fez cometer suicídio. A deusa, com pena da jovem e vendo o mal de suas ações, a trouxe de volta à vida como uma aranha através de um acônito venenoso. Assim, Aracne tornou-se a tecelã dos deuses.

















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