
A educação é algo que as pessoas gostam de dificultar, criar obstáculos, transformando o diploma num prêmio escondido no meio de um labirinto. Ainda há os que nem em casa recebem educação, e são deixados numa fábrica de alienadores para se tornarem mais uma cópia do padrão de fábrica: jovens sem opinião formada, sem vontade de aprender, com muita atitude nas palavras e fáceis de manipular. Às vezes, chegamos a ficar cara a cara com alunos que batem no peito pra falar que pagam o salário do professor... que piada. A palavra disciplina não se refere a ordem, progresso e respeito, mas sim a português, matemática, história, ciências, química, geografia e entre outros. A "disciplina" real fica por baixo da lousa, apenas usada quando vale pontos suficientes pra passar de ano.
Imagine só, aprender sobre todas as religiões, mas sob uma perspectiva omnista, que busca revelar as verdades e mentiras de cada tipo de fé. Abolir a repressão e opressão religiosa, abrir mão de sua própria doutrina para criar um espaço de compreensão e empatia, deixar de lado a ideia de que os outros têm que agir de acordo com o que a sua religião prega, e assim dar luz a um templo de diálogo sem obsessão.
Seria ótimo também se pudéssemos encontrar em cada escola opções de artes marciais. Aprender a lutar daria aos jovens a sabedoria de não lutar, pois já teriam o conhecimento de como usar seus corpos como armas de defesa e ataque, o que já seria um benefício a seu favor. Por que lutar com alguém mais forte que você? Ou mais fraco? Ou até mesmo no mesmo nível? Não há aprendizado na luta quando o instinto de ferir se sobrepõe ao de entender a raiva. É preciso saber pelo que você está lutando, saber se vale realmente à pena ou se é só perda de tempo.
As escolas, com o perdão da palavra, continuam uma merda. As mesmas matérias cansativas que não entram na cabeça de quem não se importa, e que só não se importam porque não são desafiados a utilizar tais saberes em situações em que eles são necessários. Como convencer um aluno de que ele vai crescer precisando usar bhaskara em seu dia a dia? Ele não vai. Ele sabe disso... e você também, professor. Se você não exemplificar aos alunos as situações em que tais ensinamentos serão bem requisitados para resolver um problema, eles vão crescer achando que não há problema algum. Que foi apenas perda de tempo. Que todos aqueles anos gastando dinheiro com material escolar, passagem de ônibus e impostos foram atoa.
A melhor forma de resolver isso não é acabando com as disciplinas tradicionais já citadas, mas passando a ter como foco o aprendizado individual, em cima daquilo que cada aluno precisará para se destacar no ofício que escolheu para sua vida. Se o aluno quer ser um atleta, então o foco principal dele deve ser educação física (para melhorar o desempenho de seu corpo), biologia (para conhecer os limites de seu corpo), química (para entender os processos que ocorrem em seu corpo), física (para entender como o ambiente e o movimento afetam seu corpo, e vice-versa), português (para saber se comunicar com outros corpos).
Se todo aprendizado é diminuído em provas teóricas, se a capacitação é medida com base em pontos, então a educação não está valendo de nada. A educação brasileira é falha, não atrai os jovens a quererem aprender. Ela não agrega nos sonhos do aluno que sonha em ser youtuber e não se submeter a abusos de poder no mercado de trabalho. O Estado se acomodou em formar jovens desinteressados com o modelo de ensino, sem buscar meios de mantê-los nas escolas sem se envolverem com drogas, sexo e violência. Não importa se você tem um sonho, se não tirar uma boa nota em física, esse sonho não irá se realizar. Mentira.
A verdade é que já passou da hora do sistema de ensino receber uma mudança. Se adequar ao individualismo e entender que o que serve pra um, pode não servir pra outro. Cada aluno teria seu próprio cronograma de ensino baseado no que é essencial pra ele como cidadão, e no que é essencial pra ele como o profissional que quer se tornar. A educação é para todos, mas nem tudo na educação é essencial. Aprender a costurar suas próprias roupas, alugar uma casa com contrato, investir dinheiro pro futuro, cuidar de animais domésticos, fazer seu próprio currículo, cozinhar sem a ajuda de pai/mãe... tudo isso deveria ser ensinado nas escolas. Mas claro, o mais importante mesmo é saber classificar uma palavra em adjunto adverbial ou oração sem sujeito.
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